Senado marca posse de suplente de Arolde, mas não de filho de Chico Rodrigues

Apuração da CNN aponta que parlamentares de centro articulam para que Pedro Arthur Rodrigues só assuma interinamente o cargo do pai após as eleições

Larissa Rodrigues, da CNN, em Brasília
27 de outubro de 2020 às 20:01
Questionado pela CNN sobre posse de Pedro Arthur, Davi Alcolumbre disse que 'não está pensando nisso agora'
Foto: Reprodução/TV Senado (15.jul.2020)

O Senado marcou para a próxima semana a posse do advogado Carlos Francisco Portinho como senador. Portinho assumirá a vaga deixada pelo senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ), que morreu na última quarta-feira (21) após complicações causadas pelo novo coronavírus.

A informação é da Secretaria Geral da Mesa (SGM) da Casa. No entanto, ainda não há data para a posse do administrador Pedro Arthur Ferreira Rodrigues, filho  do senador Chico Rodrigues (DEM-RR).

Chico Rodrigues foi flagrado com cerca de R$ 30 mil na cueca pela Polícia Federal e se licenciou do Senado em 20 de outubro, um dia antes da morte do senador Arolde de Oliveira. Mesmo assim, a posse do suplente Carlos Francisco Portinho ocorrerá primeiro que a de Pedro Arthur.

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Questionada pela reportagem quando Pedro Arthur deve assumir a vaga do pai, a assessoria de Chico Rodrigues informou que o administrador ainda não foi convocado pelo Senado Federal para tomar posse enquanto parlamentar. 

Na semana passada, ao ser perguntado pela CNN quando iria convocar o suplente de Chico Rodrigues, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse apenas “não estou pensando nisso agora”.

A CNN apurou que os senadores querem esperar o assunto esfriar antes que o filho do agora senador licenciado tome posse. Parlamentares do MDB, DEM, PL e demais partidos de centro apoiam ainda que a convocação fique para depois das eleições municipais, marcadas para novembro.

Segundo o Senado, se for oficializado como senador interino, Pedro Arthur terá direito a salário proporcional aos dias em que exercer o mandato, ajuda de custo, estrutura administrativa (como gabinete, servidores efetivos e comissionados), carro oficial, plano de saúde e auxílio-moradia ou residência oficial.

Já Chico Rodrigues, mesmo durante a licença de 121 dias, apesar de perder o direito ao salário de senador, que hoje é de R$ 33,7 mil, vai continuar com alguns benefícios, como plano de saúde e imóvel funcional.

Chico Rodrigues responde ainda no Conselho de Ética do Senado a um pedido de quebra de decoro que pode levar à cassação de seu mandato. O colegiado, no entanto, está com as atividades suspensas desde o início da pandemia do novo coronavírus e depende da revogação de uma resolução assinada pela Mesa Diretora para voltar a funcionar. Se for cassado, Chico Rodrigues perde não apenas os benefícios do Senado, como também, foro privilegiado e imunidade parlamentar.