Radar Político: O dilema sobre os suplentes no Senado

Arolde de Oliveira será substituído por advogado que não se elegeu vereador em 2016; já a vaga Chico Rodrigues ficará com seu filho, Pedro Arthur Rodrigues

Da CNN
22 de outubro de 2020 às 13:09

 

No quadro Radar Político, na CNN Rádio, nesta quinta-feira (22), Fernando Molica e Igor Gadelha falam sobre os critérios para a escolha dos suplentes no Senado, tema que ganhou destaque após o caso de Chico Rodrigues (DEM-RR) e a morte do senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ) após contrair Covid-19. Eles também analisaram a falta de verbas para financiar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“[Arolde] foi eleito nessa onda bolsonarista, derrotou candidatos importantes como César Maia, Lindbergh Farias e Chico Alencar. Adotou as bandeiras do presidente Bolsonaro até na questão do próprio coronavírus. Ele era contra o isolamento social e, por uma triste ironia, acabou morrendo por conta disso”, disse Molica.

O jornalista afirmou que, depois da notícia da morte de Arolde, ao pesquisar quem seria seu suplente descobriu que trata-se do advogado Carlos Portinho que, na eleição municipal de 2016, obteve apenas 7.104 votos e não se elegeu vereador no Rio de Janeiro.

“Agora ele herda uma cadeira no Senado, por conta da legislação, não tem nada de ilegal. Mas é algo que precisa ser discutido no Brasil. Duvido que mesmo os eleitores do Arolde de Oliveira, que teve 2 milhões e 300 mil votos, saibam quem é Portinho”, completou.

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Ele destacou também a questão do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que se licenciou por 121 dia depois de ser flagrado com dinheiro na cueca pela Polícia Federal. “O suplente é o filho dele, outra pessoa sem voto.”

Outro exemplo inusitado é o caso do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Ele tem como vice o empresário Paulo Marinho que, em 2018, era aliado da família Bolsonaro. Hoje, são adversários em processos criminais e investigações na PF.

“Se por alguma razão Flávio Bolsonaro perder o mandato, se candidatar a outro cargo, ou se acontecer alguma outra coisa, a vaga será herdada por um inimigo político dele”, ressaltou Molica.

Situação do Ibama

Gadelha afirmou que, em conversa nesta quinta-feira (22) com o vice-presidente Hamilton Mourão, foi informado de que o governo liberou R$ 16 milhões para o Ministério do Meio Ambiente, que serão destinados ao Ibama.

“Esses R$ 16 milhões são oriundos de remanejamentos internos do governo. Mourão lembrou que o Meio Ambiente vai precisar de mais dinheiro e vem tentando, junto à Economia, a liberação de R$ 134 milhões que estão bloqueados”, disse.

Igor Gadelha, Caio Junqueira e Fernando Molica comandam o Radar Político, na CNN Rádio
Foto: CNN Brasil

O vice-presidente deve se reunir ainda nesta quinta com o general Braga Neto, que é coordenador da junta orçamentária, para achar uma solução de como liberar esses recursos.

Sobre um desconforto entre o vice-presidente e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, Gadelha afirmou que o vice não vai admitir, mas que pessoas próximas a ele dizem nos bastidores que Mourão anda muito descontente com o ministro do Meio Ambiente.

“Os auxiliares falam que, se dependesse de Mourão, Ricardo Sales não seria mais o titular da pasta. Os militares também tem muito pé atrás e tentam convencer o presidente a trocar o ministro.”

(Edição: André Rigue)