Governo brasileiro já se divide sobre reconhecimento a Biden

O Itamaraty resiste à ideia de reconhecer desde já, sob a justificativa de que não é cabível "se antecipar às próprias instituições americanas"

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
07 de novembro de 2020 às 16:53 | Atualizado 07 de novembro de 2020 às 16:54
Palácio do Planalto
Palácio do Planalto: parte do governo diz não deve se "antecipar às instituições americanas"
Foto: Cristiano Mascaro/Portal da Copa 2014

Setores do governo já se dividem sobre a necessidade de reconhecimento por parte do presidente Jair Bolsonaro da vitória do democrata Joe Biden contra Donald Trump na eleição americana.

O Itamaraty resiste à ideia de reconhecer desde já, sob a justificativa de que não é cabível "se antecipar às próprias instituições americanas", segundo uma fonte disse à CNN. A ideia por ali é aguardar o resultado final da judicialização que os republicanos estão promovendo para só então reconhecer o vitorioso.

Leia também: 

Trump diz que eleição está ‘longe do fim’ e promete processo judicial na segunda

Líderes mundiais parabenizam Joe Biden e Kamala Harris

Mas essa linha já começa a ser criticada por outros dois segmentos importantes do governo Bolsonaro: os militares e o Centrão, base aliada de Bolsonaro no Congresso Nacional. Para esses grupos, o Brasil já deve começar a pensar em rever a estratégia defendida pelo Itamaraty.

Ainda mais porque alguns argumentos que a diplomacia brasileira vinha defendendo começam a cair por terra. Um deles, o de que era preciso aguardar Biden se declarar vitorioso. O democrata já fez isso. Outro era o de que a Organização dos Estados Americanos recomendou cautela nos reconhecimentos. Mas o próprio secretário-geral da organização, Luis Almagro, já parabenizou Biden.  

Além disso, países da América do Sul, como Chile e Uruguai, e europeus, como Alemanha, França, Portugal e Reino Unido, também já reconheceram. Até a Índia de Narendra Modi, direitista próximo a Bolsonaro, também reconheceu.