Quem os candidatos derrotados vão apoiar no 2º turno no Rio de Janeiro

Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT) não informaram se apoiarão Eduardo Paes (DEM) ou Marcelo Crivella (Republicanos); Luiz Lima (PSL) se manterá neutro

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
16 de novembro de 2020 às 11:35 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 16:03

 

Os candidatos Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) disputarão o segundo turno das eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro, em 29 de novembro. Com 100% das urnas apuradas, Paes ficou com 37,01% dos votos, contra 21,90% do atual prefeito – veja os resultados completos.

Em sua primeira manifestação após a definição dos resultados, Paes disse vai "buscar o apoio de todos os cariocas" na tentativa de chegar ao seu terceiro mandato à frente da cidade. 

"Essa discussão é sobre o Rio. Não é uma discussão sobre direita esquerda ou um debate ideológico nacional", afirmou. "Eu quero o apoio do povo carioca, conversar com todos os cariocas. Não importa se é direita ou esquerda. Acho que o que nós temos hoje é uma insatisfação com a gestão de um prefeito despreparado."

Já Crivella se mostrou confiante na reversão dos resultados já que no segundo turno será possível comparar seu desempenho com o do candidato do DEM à frente da cidade.

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Candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro em segundo turno, Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos)
Foto: Reprodução/Facebook e Reprodução/Youtube


"Tenho certeza de que os números que temos vão mudar. Minha rejeição é de gestão, não é pessoal. Quando os eleitores souberem tudo o que fizemos, isso pode ser revertido", afirmou. "É diferente quando a rejeição é pessoal, quando o candidato é réu e está envolvido em corrupção", completou.

Em terceiro lugar na votação ficou a candidata Delegada Martha Rocha (PDT), com 11,30%, seguida por Benedita da Silva (PT), com 11,27%, e Luiz Lima (PSL), com 6,85%.

Veja o que esses candidatos derrotados falaram sobre o segundo turno.

Martha Rocha

A deputada estadual Martha Rocha (PDT) declarou em evento da coligação formada pelo seu partido e pelo PSB que não irá apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno

Presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho do governo Dilma Rousseff, Carlos Lupi, disse que um dos lados representa tudo aquilo que o partido sempre se opôs ao longo de sua história, e que o outro fez uma campanha de baixo nível. 

“O partido como instituição não deixará que nenhum militante use a sua sigla, bandeira e sua história para apoiar qualquer candidatura. De um lado, temos o fundamentalismo religioso e o Bolsonaro, que nós historicamente sempre combatemos. Do outro lado, a covardia, o desrespeito, o jogo baixo e pequeno que também não aceitamos”, declarou.

Ela divulgou na manhã desta segunda-feira (16) uma nota em sua conta no Twitter agradecendo os 297.751 recebidos no primeiro turno. “Volto à [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro] Alerj de cabeça erguida. Seguirei meu trabalho como deputada estadual com muito amor e respeito pela nossa cidade e pelo estado do Rio de Janeiro”, escreveu.

Ela afirmou ainda espera que o futuro prefeito cumpra as promessas feitas em campanha para que a cidade tenha “uma gestão melhor do que foram as últimas”, uma crítica indireta tanto ao atual prefeito (Crivella) quanto a seu antecessor (Paes).

Benedita da Silva

Em uma transmissão ao vivo nesta segunda-feira (16), Benedita da Silva (PT) disse que considerou maravilhoso seu desempenho no 1º turno, que lhe rendeu 296.847 votos. Ela disse ainda que a votação serviu para resgatar a representação do partido na Câmara dos Vereadores

“Eu saio desse processo muito fortalecida, mas não do ponto de vista pessoal. O PT, que não teve uma composição tão ampla, saiu fortalecido na cidade. A gente começa a resgatar a nossa representação na Câmara”, disse.

“Não chegamos até o final, mas também não ficamos no meio do caminho. Tivemos uma vitória política, moral, ética - foi uma campanha em que não usamos baixaria. Vocês [eleitores] foram os grandes protagonistas”, completou.

Ela não declarou, no entanto, se apoiará um dos candidatos no segundo turno. 

Luiz Lima

O deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ) foi o primeiro candidato a se manifestar após o fim da apuração. Ele agradeceu o apoio dos eleitores, disse que vai continuar seu mandato em Brasília e afirmou que não tomará partido na disputa do segundo turno. 

"Quero agradecer aos 180 mil eleitores que depositaram confiança na minha candidatura. Quero dizer que os meus valores, os meus princípios e a minha verdade, não estão à venda. O seu voto não será um motivo para negociação. Quero, de fato, contribuir para uma política limpa, verdadeira e eficiente em nosso país. E acreditando que, em um futuro próximo, os eleitores não tolerem mais a corrupção no nosso município, no nosso estado, em nosso país", afirmou o deputado. 

O nome de Luiz Lima surgiu no fim do processo de convenções do PSL, que anunciava a pré-candidatura do deputado estadual Rodrigo Amorim. O nome de Lima permitiu uma composição com o PSD, que lançaria o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), mas aceitou o posto de vice-prefeito, ocupado pelo Delegado Fernando Velloso, ex-chefe da Polícia Civil.

(Com informações de Stéfano Salles, da CNN no Rio, e do Estadão Conteúdo)