MP: Família de Queiroz movimentou R$ 2,2 mi em esquema de rachadinha na Alerj

O levantamento consta em denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro à Justiça

Iuri Corsini e Maria Mazzei, da CNN, no Rio de Janeiro
24 de novembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 24 de novembro de 2020 às 08:47


Dos R$ 6,1 milhões movimentafos pelos 12 assessores parlamentares  fantasmas do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, aproximadamente R$ 2,2 milhões foram desviados por Fabrício Queiroz, operador financeiro do esquema das rachadinhas, e pela família dele.

O levantamento consta em denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro à Justiça. 

De acordo com os promotores, entre 2007 e 2018, Queiroz, a esposa dele, Márcia Aguiar, e as filhas, Nathália e Evelyn Queiroz, movimentaram 35% do valor total desviado com a esquema das rachadinhas montado no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

Somando-se os  valores depositados na conta de Fabrício Queiroz com os saques em espécie, os promotores concluíram que  as duas filhas de Queiroz e Márcia tenham repassado aproximadamente R$ 1,7 milhão para organização criminosa, através do próprio Queiroz. 

Segundo o MP, Fabrício Queiroz, além de receber essa quantidade suspeita de depósitos em dinheiro vivo, também manteve uma rotina intensa de saques em sua própria conta.

"Além de receber essa quantidade incomum de depósitos em espécie, o denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz também executou uma intensa rotina de saques em sua própria conta corrente.", ressaltou os promotores.

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Fabrício Queiroz durante a prisão na manhã de quinta-feira (18) em casa em Atibaia
Foto: CNN (18.jun.2020)

De acordo com tabela detalhada do MP, Nathália recebeu pouco mais de R$ 774 mil da Alerj, Evelyn cerca de R$ 232 mil e Márcia aproximadamente R$ 1,1 milhão. Dos valores recebidos, Márcia repassou R$ 868 mil à organização criminosa (ou 75% do que ela recebeu da Alerj), Evelyn repassou R$ 152 mil (ou 65%) e Nathália transferiu cerca de R$ 703 mil (ou 90%) à "organização criminosa chefiada por Flávio Bolsonaro", de acordo com a investigação dos promotores. 

Questionada, a defesa de Flávio Bolsonaro informou que não irá se manifestar, alegando que o processo ainda corre sob sigilo.

Em nota, a defesa de Márcia Aguiar, Nathália e Evelyn Queiroz, afirmou que é "inverídica qualquer acusação de desvio de valores na Alerj por parte das filhas e esposa de Queiroz". De acordo com os advogados da família, “elas sempre exerceram com rigor as atribuições legais dos cargos que ocuparam. Os repasses de parte dos salários atendiam à lógica - comum em lares brasileiros - de participação na economia familiar”.

Já a defesa de Queiroz disse que “reafirma a inocência de Fabrício Queiroz e informa que pretende fazer a impugnação das provas acusatórias e produção de contraprovas que demonstrarão a improcedência das acusações”.