Em jantar, Maia e aliados decidem que nome de candidato à sucessão sai até 10/12

Ficou acertado que os postulantes ao cargo terão os próximos dias para mostrar que viabilizaram o maior número de apoios dentro da oposição

Daniela Lima, Renata Agostini e Bárbara Baião Da CNN, em São Paulo e Brasília
25 de novembro de 2020 às 15:58 | Atualizado 25 de novembro de 2020 às 17:25
Plenário da Câmara, em Brasília
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (11.mar.2020)


 O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e aliados se comprometeram a fechar até o dia 10 de dezembro o nome do deputado que receberá apoio do grupo na disputa pela sucessão na Casa. O prazo foi definido em conversas na residência oficial na terça-feira (24). 

Foram dois encontros. Um logo após o almoço e outro que começou com um jantar e seguiu noite adentro. Maia reuniu seis postulantes ao posto para definir um caminho e sedimentar a ideia de formar um grande bloco na Câmara. Estavam presentes: o líder do MDB, Baleia Rossi; o presidente do PSL, Luciano Bivar; o presidente do Republicanos, Marcos Pereira; e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP), Marcelo Ramos (PL) e Elmar Nascimento (DEM).

De noite, após o jantar, os seis pré-candidatos debateram critérios para a escolha entre si enquanto Maia aguardava a deliberação. O presidente da Câmara se uniu depois ao grupo. Ficou acertado que os postulantes ao cargo terão os próximos dias para mostrar que viabilizaram o maior número de apoios dentro da oposição, além de trazer o maior número de votos do próprio partido que integra. 

Leia também:

Câmara: Candidatos à presidência tentam apoio de Maia até Natal para viajar país

Partidos não acreditam em votação de reformas em 2020

Segundo o relato de participantes, houve um entendimento de que, independentemente do nome escolhido, essa ala irá se manter unida contra uma eventual candidatura do deputado Arthur Lira, do PP e que, até aqui, tem a simpatia do Palácio do Planalto. 

Por isso, uma das ideias em debate é anunciar, nos próximos dias, a formação de um bloco que aglutinaria ao menos nove siglas: DEM, PSDB, MDB, Cidadania, Republicanos, PSL, PTB, Pros e PV. O tamanho da aliança seria suficiente para obter ao menos as cinco primeiras pedidas da Mesa Diretora, e as conversas sobre distribuição dos cargos já estão em andamento. 

Além disso, ficou acertado que o escolhido se comprometerá a abrigar os cinco preteridos em espaços importantes na Casa, como cargos de liderança ou relatorias importantes.

As negociações sobre o nome que Maia irá apoiar se intensificaram na semana passada e envolvem arrastar o apoio dos partidos de esquerda, com quem o atual presidente da Câmara tem boa interlocução.

O teste para esse super bloco deve vir na tramitação da reforma tributária. O objetivo do grupo é obter maioria necessária para votar, ainda este ano, o texto no plenário da Câmara.

O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro, já tem em mãos uma lista de sugestões feitas por partidos da esquerda como contrapartida por um eventual apoio à simplificação de impostos. O deputado também abriu conversas com o governo e já se reuniu com o ministro Paulo Guedes para ouvir propostas.

O plano debatido inclui apresentar o relatório na semana que vem para que seja possível passar a reforma em dois turnos na Câmara antes do recesso parlamentar. A proposta de criar um imposto digital, aos moldes da CPMF, não deve constar no texto, segundo líderes.

O Palácio do Planalto acompanha os movimentos, e diante das articulações, conversou com parlamentares envolvidos nas negociações nesta terça.