Quais os desafios do próximo prefeito do Rio de Janeiro?

Obras inacabadas e crise econômica estão entre os principais problemas que aguardam Eduardo Paes, eleito para o comando da capital neste domingo

Fernando Molica
Leandro Resende
29 de novembro de 2020 às 19:29
 
Cristo Redentor no Rio: Obras inacabadas e crise econômica estão entre principais desafios
Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil (5.out.2015)

Os cariocas foram às urnas neste domingo (29) e escolheram quem cuidará da cidade pelos próximos quatro anos.

Por volta das 19h, com 96% das urnas apuradas na capital, Eduardo Paes era declarado eleito prefeito do Rio de Janeiro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 64,21% dos votos válidos. O adversário e atual prefeito Marcelo Crivella registrava 35,79%.

Em meio à pandemia de Covid-19, que sobrecarrega o sistema de saúde municipal, e a obras inacabadas, o próximo prefeito enfrenta ainda o maior déficit fiscal da história da capital fluminense. O dinheiro em caixa é pouco, os desafios são muitos.

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Os analistas de política Leandro Resende e Fernando Molica concordam que o transporte público deve ser prioridade. “A obra do BRT não foi concluída na gestão de Eduardo Paes, permaneceu incompleta nos quatro anos de Marcelo Crivella”, diz Molica.

“A obra [do BRT] corta a Avenida Brasil, a principal da cidade, e virou um canteiro abandonado. Atrapalha o trânsito, depõe contra a cidade em uma importante via de chegada à capital fluminense, possui diversos pontos em que traficantes atuam”, completa Resende.

Veja outros pontos levantados pelos analistas de Política da CNN:

Leandro Resende

Covid-19 - O próximo prefeito será escolhido em meio ao aumento na ocupação de leitos de UTI para pacientes com coronavírus. Se houver mudança de gestão, importante observar se já estaremos, em janeiro, em uma segunda onda de casos consolidada, e qual será a aposta para vencê-la: incremento de leitos exclusivos, reativação de hospitais de campanha... Seja qual for a gestão, no entanto, o próximo prefeito terá o verão carioca como desafio posto para combate à covid, uma vez que houve explosão de casos no verão europeu, por exemplo. Neste tema ainda se insere a indefinição sobre o que fazer com o ano letivo na rede municipal - diversas escolas fecharam após explosão de casos em meio ao retorno gradual às aulas. 

Crise econômica - Crivella ou Paes pegarão uma prefeitura em 2021 com o maior déficit fiscal da história do Rio, com tendência à arrecadação baixa de ISS como efeito da pandemia. Aqui, o desafio será evitar que isso se transforme em suspensão ou precarização de serviços como conservação, limpeza urbana, educação e saúde, com criatividade para conseguir receitas. 

Milícias - Estudo feito pela Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que, entre as "vantagens políticas" de milícias sobre traficantes na disputa sobre territórios do Rio está o fato de esses grupos se aproveitarem da inação da prefeitura para conseguir auferir lucros via grilagem de terras, parcelamento irregular do solo e construção de prédios ilegais. Este é um problema grave, sobretudo para Zona Oeste, e que não é só municipal – em virtude do componente da segurança, responsabilidade do estado – mas a administração pode e precisa fazer mais que apenas derrubar prédios já prontos. 

Obras inacabadas - A construção do corredor exclusivo para ônibus BRT Transbrasil se arrasta há 6 anos. A obra corta a Avenida Brasil, a principal da cidade, e virou um canteiro abandonado. Atrapalha o trânsito, depõe contra a cidade em uma importante via de chegada à capital fluminense, possui diversos pontos em que traficantes atuam... Há, ainda, diversas obras de contenção de encostas e de mitigação dos efeitos das enchentes que ficaram pelo caminho. Há dinheiro para encerrá-las? 

Corrupção - Em uma mesma semana deste ano, Paes e Crivella foram alvos de busca e apreensão em operações do Ministério Público. Para além das acusações contra eles, a ver como será a vida jurídica do próximo prefeito e como os desdobramentos dos processos na Justiça podem afetar a cidade.

Fernando Molica

Saúde -  Recuperar as clínicas da família e, diante dos sucessivos problemas com organizações sociais, estabelecer novos critérios para a contratação de pessoal na área de assistência médica.

Obra do BRT -  Concluir o BRT Transbrasil, corredor expresso de ônibus que ligará a zona oeste ao centro. A obra não foi concluída na gestão de Eduardo Paes, permaneceu incompleta nos quatro anos de Marcelo Crivella. Diminuir a superlotação dos ônibus que circulam pelos BRTs Transoeste e Transcarioca.

Porto Maravilha - Encontrar uma saída para o impasse relacionado à operação do Porto Maravilha, tarefa que deixou de ser feita pela Caixa Econômica. Incentivar a ida de empresas para a região portuária e iniciar o processo de construção de moradias na região.

Transporte público - Renegociar os contratos de concessão de ônibus na cidade. Nos últimos anos, a frota diminuiu e envelheceu.

Crise econômica - Buscar formas para a recuperação econômica da cidade. Nos últimos 12 meses, os empregos formais caíram 0,36% (em São Paulo, subiram 1,94%).