Rio está livre do pior governo da sua história, diz Paes em discurso da vitória

Paes dedicou boa parte do discurso com críticas à atual gestão da prefeitura do Rio, com Marcelo Crivella (Republicanos), derrotado hoje

Sinara Peixoto, da CNN, em São Paulo
29 de novembro de 2020 às 19:28 | Atualizado 29 de novembro de 2020 às 19:45

 

O prefeito eleito do Rio de Janeiro nas eleições municipais 2020, Eduardo Paes (DEM), abriu seu dicurso da vitória neste domingo (29) agradecendo à família, aos apoiadores e, nominalmente, ao presidente da câmara, Rodrigo Maia, que o acompanhava durante a coletiva de imprensa.

Paes dedicou boa parte do discurso com críticas à atual gestão da prefeitura do Rio, com Marcelo Crivella (Republicanos), derrotado hoje.

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"Os cariocas disseram 'sim' às nossas propostas. O Rio está livre do pior governo da sua história. Do governo mais omisso, mais despreparado, mais preconceituoso. Hoje vocês estão livres para voltar a confirmar esta cidade como uma cidade diversa, que abraça a todos. O Rio vai voltar a dar certo, a olhar para frente com muita esperança,"

O prefeito eleito disse que valoriza a própria vitória, mas reconhece que o resultado também é um voto de protesto dos cariocas.

"Tenho muita convicção de que essa vitória de hoje é muito importante, significativa, mas tenho certeza que todos aqueles que confiaram em nossa proposta queriam dar um 'não' contundente a esse governo reacionário, que tomou conta da nossa cidade nos últimos quatro anos. Que foi ruim na gestão, que piorou a vida das pessoas e olhou a cidade com muito preconceito", avaliou

Paes encerrou o discurso ressaltando a maturidade que avalia ter hoje, em comparação com a primeira vez que foi prefeito do Rio de Janeiro, em 2009, quando tinha 38 anos.

"Nos próximos quatro anos, vocês vão ter um prefeito que vai dar o sangue, que vai lutar muito, trabalhar muito. Estou mais maduro, mais experiente, mais preparado. Conheço os desafios da cidade. A gente vai fazer o Rio voltar a ter esperança."

Durante a coletiva, Paes soube da vitória de Bruno Covas (PSDB) sobre Guilherme Boulos (Psol) em São Paulo e parabenizou o prefeito reeleito na capital paulista.

Eleito neste domingo (29), Eduardo Paes (DEM) discursa após resultado da eleição
Foto: CNN (29.nov.2020)

Paes exercerá seu terceiro mandato como prefeito do Rio. O primeiro foi de 2009 a 2012 e o segundo, para o qual foi reeleito em primeiro turno, de 2013 a 2017.

Enquanto ocupou a cadeira, costumava dizer que era “o homem mais feliz do mundo por ser o prefeito do Rio”. Na próxima gestão, no entanto, ele enfrentará desafios inéditos, como o combate à Covid-19, em ascensão na cidade, e o maior déficit fiscal da história da prefeitura.

Ele é bacharel em direito e político de carreira — o primeiro cargo na administração pública
foi aos 24 anos, em 1994, quando foi subprefeito da zona oeste.

Foi vereador, deputado federal por dois mandatos e secretário municipal do Meio Ambiente.

Em 2006, Paes se candidatou pela primeira vez ao governo do estado. Obteve 5,5% dos votos válidos, atrás do atual adversário Crivella, que ficou em terceiro. No segundo turno, apoiou Sérgio Cabral e, durante o mandato dele, assumiu a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer.

Foi eleito prefeito em 2008 e assumiu o mandato no ano em que o Rio foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016. Em 2012, foi reeleito em primeiro turno.

Após deixar o Executivo carioca em 2017, Paes teve uma breve estadia nos Estados Unidos e voltou ao Brasil para concorrer ao governo do estado, bola que já cantava durante seu último mandato como prefeito.

Foi derrotado pelo atual governador afastado Wilson Witzel (PSC), em uma campanha em que pesaram contra ele as acusações que enfrenta na Justiça – de corrupção com empreiteiras – e a ligação com figuras consideradas da velha política.

Num programa de governo enxuto, de apenas duas páginas, Paes apresenta os doze
objetivos para sua próxima administração.

Em linhas gerais, se compromete a recuperar a qualidade dos serviços públicos, a situação financeira – com “pagamento dos salários em dia e a retomada dos sistemas de meritocracia” – e a estabelecer parcerias com o setor privado e o governo federal, “colocando sempre o interesse público do Rio de Janeiro acima de toda e qualquer divergência política ou ideológica”.

(Com Anna Satie)