Rio: TRE aciona PF contra greve de motoristas de ônibus em dia de eleição

Transporte de eleitores que moram na zona oeste da capital fluminense foi afetado por movimento iniciado na madrugada deste domingo (29)

Beatriz Puente, Isabelle Saleme e Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
29 de novembro de 2020 às 09:32 | Atualizado 29 de novembro de 2020 às 13:43


Motoristas de duas empresas de ônibus – cerca de 2 mil funcionários – fizeram uma paralisação no Rio de Janeiro neste domingo (29), dia do segundo turno das eleições municipais 2020. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) acionou a Polícia Federal para impedir o movimento, pois temia prejuízo aos eleitores que dependem do transporte público para chegar ao local de votação.

Nas redes sociais, moradores de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense, relatavam dificuldades em conseguir um ônibus para ir votar. Em nota, o TRE-RJ afirmou que "a paralisação é ilegal e representa grave impedimento e embaraço às eleições".

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Segundo o órgão, os ônibus das viações Redentor e Futuro voltaram a circular normalmente a partir das 11h.  

Motoristas de ônibus fazem paralisação no RJ no dia do segundo turno das eleições
Foto: Reprodução - 29.nov.2020 / CNN

Motivos da paralisação

Na sexta-feira (27), durante uma reunião entre o sindicato da categoria e representantes das viações, com mediação do Ministério Público do Trabalho, ficou acordado que algumas empresas poderiam parcelar o pagamento do 13º salário dos funcionários. Com isso, algumas garagens entraram em alerta.

Na manhã deste domingo, uma paralisação independente, sem interferência sindical, começou entre trabalhadores de duas empresas. Segundo representantes da viação, a proposta do empresário era dividir o pagamento do benefício em oito vezes. No entanto, o acordo não foi aceito. Pouco mais de 2 mil funcionários das duas companhias iniciaram a paralisação e 390 ônibus não saíram das garagens.

"A empresa tomou a decisão e comunicou de forma informal através de áudio por mensagem na última sexta-feira, que seria paga a primeira parcela no dia 30/11 e as próximas parcelas sem previsão de pagamento", disse o movimento dos rodoviários, em nota.

Ainda de acordo com as lideranças do movimento, os colaboradores que tiraram férias no meio da pandemia da Covid-19, ainda não receberam o 1/3 proporcional, que seria de direito. O combinado era que esse pagamento fosse realizado em dezembro. Contudo, a empresa teria recuado.

Protesto

Desde o início do dia, manifestantes protestavam em frente à garagem, na zona oeste da cidade. As polícias civil, militar e federal foram acionadas. Representantes do TRE-RJ também estiveram no local.

Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb Rio), cerca de 2,5 mil funcionários estavam paralisados, mas no protesto havia cerca de 300. 

Em um comunicado, o vice-presidente do sindicato, José Carlos Sacramento, disse que o momento pelo qual as empresas estão passando é delicado, “mas a categoria não pode sofrer as consequências pela falta de competência da administração".

Íntegra da nota do TRE-RJ

TRE-RJ aciona Polícia Federal contra paralisação de rodoviários no Rio

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro determinou a intervenção da Polícia Federal na paralisação dos rodoviários das viações Redentor e Futuro. Iniciada na madrugada deste domingo (29), o movimento atingiu moradores das regiões de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. Para o TRE-RJ, a paralisação é ilegal e representa grave impedimento e embaraço às eleições. As lideranças do movimento serão responsabilizadas na forma da lei penal. A expectativa do Tribunal é que o funcionamento regular das linhas operadas pelas empresas de ônibus seja normalizado rapidamente.