Senado manda ‘recado’ com rejeição de embaixador; Planalto vê ‘péssimo sinal’

Senadores rejeitaram o nome do diplomata Fabio Mendes Marzano, indicado para a delegação permanente do Brasil junto à ONU em Genebra, na Suíça

Por Igor Gadelha, CNN  
16 de dezembro de 2020 às 08:38 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 08:47


Senadores mandaram um “recado” de insatisfação com a atual condução do Itamaraty ao rejeitarem nesta terça-feira (15), por 37 votos a 9, a indicação do diplomata Fabio Mendes Marzano para a delegação permanente do Brasil junto à ONU em Genebra, na Suíça.

Nos bastidores, parlamentares dizem que o resultado foi uma sinalização de que o Senado está incomodado com a condução do ministro Ernesto Araújo. Marzano é um dos principais assessores do chanceler -- ele é secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do Itamaraty.

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Diplomata Fabio Marzano em pronunciamento no Senado
Foto: Pedro França/Agência Senado

“Foi uma soma de fatores. A maioria do Senado entende, por exemplo, que o Ernesto prejudica as relações do Brasil com a China, nosso principal parceiro comercial”, disse à CNN um influente senador do MDB, partido com a maior bancada na Casa.

Parlamentares também ficaram incomodados com o fato de Marzano ter se recusado a responder uma pergunta da senadora Kátia Abreu (PP-TO) durante a sabatina do diplomata na Comissão de Relações Exteriores da Casa, na segunda-feira (14).

A parlamentar questionou Marzano sobre a postura do Brasil na questão ambiental e seus impactos nas tratativas de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O diplomata se recusou a responder, afirmando que não estava “mandatado” para falar sobre o tema.

Integrantes do Ministério das Relações Exteriores e do Palácio do Planalto também viram a rejeição de Marzano como um “recado” do Senado ao governo. Eles ressaltaram que esse tipo de resultado, que não acontecia desde o governo Dilma, é um “péssimo sinal”.

No Itamaraty e no Planalto, a reação foi de surpresa. Na noite desta terça-feira (15), auxiliares presidenciais tentavam entender o que houve. Na comissão, a indicação do diplomata tinha sido aprovada por 7 votos a 1. Procurados oficialmente, o Itamaraty e Ernesto ainda não se pronunciaram.