Sessão do impeachment de Witzel tem pedido de suspensão de depoimentos negado

O Tribunal Especial Misto começou a ouvir na manhã desta quinta-feira (17) as testemunhas de defesa e acusação do processo de impeachment do governador afastado

Paula Martini, da CNN, no Rio de Janeiro
17 de dezembro de 2020 às 12:46 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 20:51

 

O Tribunal Especial Misto começou a ouvir na manhã desta quinta-feira (17) as testemunhas de defesa e acusação do processo de impeachment do governador afastado do Rio, Wilson Witzel

A sessão começou as 9h18 com a leitura de um despacho no qual o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Cláudio de Mello Tavares, negou o pedido de dispensa de quatro testemunhas. O clima ficou tenso quando a defesa de Witzel interveio pedindo a suspensão dos depoimentos.

O advogado Roberto Podval argumentou que só teve acesso ao inquérito do MPF sobre os desvios na Saúde estadual na tarde dessa quarta-feira. O pedido de adiamento foi negado pelo colegiado, por 8 votos a 2. Oito testemunhas não foram localizadas pelo Tribunal. Com isso, o número de depoimentos previstos para essa quinta-feira caiu de 27 para 19. 

Lucas Tristão, ex secretário de Desenvolvimento Econômico e homem forte do governo Witzel, foi o primeiro ouvido. Ele está preso no Complexo Penitenciario de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, desde 28 de agosto e falou por videoconferencia.

O desembargador Cláudio de Mello iniciou a oitiva  perguntando se Tristão se considerava amigo ou inimigo de Witzel. Tristão respondeu dizendo que hoje se considera inimigo. Mais adiante, o deputado Luiz Paulo, autor da denuncia contra o governador, perguntou o motivo da resposta. Tristão disse que por "motivo de foro íntimo" preferia não responder.

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O deputado Luiz Paulo também questionou Tristão sobre a reclassificação da OS Unir, a nomeação de Gabriel Neves para subsecretaria de Saúde e sobre uma susposta caixinha de propina  de governo. O ex-secretário negou conhecimento sobre as irregularidades. "Não posso ser culpado pela presunção do deputado de que eu teria conhecimento de algo que não tenho. Nunca fui interlocutor ou garoto de recados, nunca fui garoto de recados, nunca fiz interlocução de ninguém. Nunca falei por outra pessoa. Toda essa questão de ser braço forte faz parte de uma mística para acalmar os tablóides. Caso tivesse conhecimento de qualquer relação espúria, teria denunciado às autoridades", disse Tristão.

Ainda estão previstas as oitivas de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde e que firmou delação premiada que implica Witzel em um esquema de corrupção na pasta; Mário Peixoto, empresário preso apontado como principal articulador do esquema durante o governo Witzel; e Helena Witzel, esposa do governador afastado, além de Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC. Edmar Santos foi ao Superior Tribunal de Justiça para não ser ouvido, mas o pedido foi negado pelo ministro Benedito Gonçalves. Gonçalves, no entanto, autorizou que ele mantenha sigilo sobre os termos da delação firmada com o Ministério Público.

Confira a lista de depoimentos:

Testemunhas não localizadas:

Acusação:
Roberto Bertholdo 
Vitor Hugo Amaral Cavalcante Barroso 

Defesa: 
Cláudio Alves França
Sérgio de Abreu gama 
Luiz Octávio Martins de Mendonça

 

Relatoria:
Édson Torres
Maria Ozana Gomes
Mariana Tomasi Scardua

Roberto Bertholdo 

Vitor Hugo Amaral Cavalcante Barroso 


Defesa: 
Cláudio Alves França
Sérgio de Abreu gama 
Luiz Octávio Martins de Mendonça

Relatoria:
Édson Torres
Maria Ozana Gomes
Mariana Tomasi Scardua