Deputado de partido de Maia critica aliança com esquerda: ‘É o poder pelo poder’

Vice-líder do governo no Congresso, o deputado  Pedro Lupion (DEM-PR), afirmou à CNN “não ter condições de aceitar esse jogo do Rodrigo Maia com a esquerda”

Thais Arbex
Por Thais Arbex, CNN  
18 de dezembro de 2020 às 21:03
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Foto: Adriano Machado/Reuters (11.ago.2020)

A adesão de partidos da oposição ao bloco do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a disputa pela sucessão da Casa provocou mais fissuras no DEM, indicando que a bancada de 28 deputados tende a ir rachada para a eleição que acontece no dia 1º de fevereiro. 

Vice-líder do governo no Congresso, o deputado  Pedro Lupion (DEM-PR), afirmou à CNN “não ter condições de aceitar esse jogo do Rodrigo Maia com a esquerda” e que vai apoiar o candidato mais próximo do governo Jair Bolsonaro. Ou seja, Arthur Lira (PP-AL). 

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Para Lupion, a aliança de Maia com a esquerda atende apenas ao “interesse próprio” do presidente da Câmara. “É o poder pelo poder”, disse. 

O deputado, que também é coordenador político da bancada ruralista, lembrou ainda que ele e sua família apoiaram o então candidato Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. “Mantenho minha coerência.” Ele é filho do ex-deputado Abelardo Lupion, que chegou a atuar na cozinha do Palácio do Planalto por alguns meses. 

A insatisfação de Pedro Lupion não é isolada. Outros integrantes da bancada do DEM têm demonstrado incômodo com a atuação de Rodrigo Maia. Nos bastidores, a avaliação é a de que, como o voto na eleição da direção da Câmara é secreto, parte da bancada deve migrar para Lira. 

Com o anúncio da esquerda nesta sexta-feira (18), o bloco de Maia tem, agora, 11 partidos: PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PCdoB e Rede. Ao todo, eles somam 281 deputados. O nome do candidato do grupo, no entanto, ainda não foi escolhido.

Para ser eleito em primeiro turno, o candidato ao comando da Câmara precisa de 257 votos. Como a votação é secreta, os postulantes ao posto contam sempre com dissidências nos partidos.