Apoio do Planalto a Alcolumbre esquenta disputa dentro do MDB

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
09 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 09 de janeiro de 2021 às 09:31
David Alcolumbre
Presidente do Senado Federal, David Alcolumbre (DEM-AP)
Foto: Edilson Rodrigues - 13.mai.2020/Agência Senado

O apoio do presidente Jair Bolsonaro ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reafirmado nesta sexta-feira (07), colocou dificuldade nas pré-candidaturas de Eduardo Gomes e Fernando Bezerra, que disputam a preferência dentro do MDB para o comando do Senado.

Emedebistas ouvidos pela CNN defendem que não existe líder de governo sem apoio do governo. E na falta de uma postura mais isenta do Planalto, para reduzir constrangimentos na bancada, caberia a Gomes e Bezerra retirarem a candidatura ou deixarem a liderança de governo - o que não foi manifestado por nenhum dos dois até aqui.

Embora o Planalto não tenha formalizado apoio, além da amizade com Alcolumbre, a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM) conta com o apoio de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Assista e leia também:
Senado: Rodrigo Pacheco abre mão do governo de MG em 2022 por apoio do PSD
Aliados de Lira contam com metade da bancada do DEM em disputa na Câmara
PSDB quer fechar com MDB para a disputa pela presidência do Senado

O MDB vai decidir até quarta ou quinta-feira quem será o seu candidato. "Não haverá duas candidaturas. Nós teremos um candidato ou uma candidata", afirmou veementemente à CNN o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, que também é um dos cotados.

Além de Braga, e dos pré-candidatos que são líderes de governo, corre também na disputa a senadora Simone Tebet. Ainda que não admitam pretensão, Renan Calheiros, que já presidiu o Senado três vezes, e Márcio Bittar, relator do Renda Cidadã, também integram a lista de possíveis candidatos.

Em 2019, Alcolumbre venceu Renan Calheiros, entre muitos motivos, por causa do racha no MDB. Em conversas reservadas, alguns emedebistas chegam a afirmar que teria sido mais fácil apoiar a reeleição de Alcolumbre do que partir para uma nova disputa interna. Isso só não foi possível porque o Supremo Tribunal Federal barrou a reeleição.

Contando com o apoio de integrantes do PSDB, Podemos, PSL, Cidadania, o partido acredita que já soma pelo menos 37 votos, o que ainda é insuficiente para vencer. 

Candidato do governo 

Ao mesmo tempo que o MDB prega independência, usa do artifício de rotular Pacheco de "candidato do governo" na tentativa de atrair votos da oposição.

Pacheco vem mantendo diálogos simpáticos com senadores do PT, o que é visto com cautela pelo Planalto. O diagnóstico é de que a proximidade, na busca por votos, não pode interferir na pauta de interesse do governo no Senado.

Entre petistas, a postura do senador, quando ainda era deputado, na condução de investigações contra o ex-presidente Michel Temer, é bem lembrada. Na época, Pacheco era do MDB e, mesmo assim, tocou o início do processo de Temer.