Lula foi diagnosticado com Covid-19 em Cuba e cumpriu quarentena na ilha

Ex-presidente viajou ao país para participar das gravações de um documentário sobre a América Latina

Leonardo Lellis, da CNN, em São Paulo
21 de janeiro de 2021 às 17:35 | Atualizado 21 de janeiro de 2021 às 17:50


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi diagnosticado com Covid-19 em Cuba e cumpriu 14 dias de quarentena na ilha. De acordo com nota de sua assessoria, ele permaneceu um mês no país, onde foi para participar das gravações de um documentário sobre a América Latina produzido e dirigido pelo cineasta Oliver Stone.

Ainda conforme a assessoria do petista, ele, sua mulher Janta e mais sete membros de sua comitiva se submeteram a um teste antes de viajar e quando chegaram a Cuba, em 21 de dezembro. "O teste de RT-PCR, obedecendo os protocolos cubanos para detectar infecções trazidas de outros países, foi repetido dia 26 de dezembro. Estes exames apontaram positivo para a Covid19 do ex-presidente e de outros membros da equipe, confirmando serem casos importados através da investigação epidemiológica", relata.

Todos os membros da equipe, exceto uma jornalista, testaram positivo para a doença. "Por estar fora do Brasil, o ex-presidente Lula decidiu comunicar a doença apenas na chegada ao país, para preservar sua família e dos demais infectados", prossegue a nota. A assessoria do ex-presidente afirma apenas o o escritor Fernando Morais precisou de internação hospitalar, durante 14 dias, em razão de complicações pulmonares.

Lula e Fernando Morais
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o escritor Fernando Morais
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

"Ao longo do acompanhamento, o ex-presidente foi diagnosticado em tomografia computadorizada com lesões pulmonares compatíveis com broncopneumonia associada à Covid19, apresentando excelente recuperação", diz a nota, que acrescenta que a evolução da doença foi acompanhada pelo deputado federal Alexandre Padilha, que é médico infectologista e ex-ministro da Saúde.

Em nota, o ex-presidente agradeceu aos profissionais de saúde, ao governo de Cuba e aproveitou para criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Sentimos na pele a importância de um sistema público de saúde que adota um protocolo unificado, inspirado na ciência e nas diretrizes da OMS. E quero estender as minhas saudações a todos os profissionais de saúde que se esforçam para fazer o mesmo aqui no Brasil, apesar da irresponsabilidade do presidente da República e do ministro da Saúde”, disse.

O petista acrescentou que "está preparado" ser imunizado e parabenizou os pesquisadores dos institutos Butantan e Fiocruz que participaram do desenvolvimento das vacinas. "Elas representam nossa única saída nessa pandemia que vitimou milhares de brasileiros”, disse Lula. 

Em acordo com o diretor Oliver Stone, as gravações foram interrompidas e Lula cancelou suas atividades. Segundo sua assessoria, ele se reuniu apenas com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, o 1º secretário do Partido Comunista de Cuba, Raul Castro, o primeiro ministro de Cuba, Manuel Marrero, e com o chanceler Bruno Rodriguez.