Alesp aceita denúncia de importunação sexual contra Fernando Cury

Em dezembro, Cury foi flagrado pelas câmeras de segurança da Alesp passando a mão no seio da parlamentar durante sessão na Casa

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
10 de fevereiro de 2021 às 13:09 | Atualizado 10 de fevereiro de 2021 às 14:28

 

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aceitou, por unanimidade nesta quarta-feira (10), a denúncia da deputada Isa Penna (PSOL) contra o deputado Fernando Cury (Cidadania) por importunação sexual. Em nota, a defesa do parlamentar diz que recebeu a decisão "com serenidade"

No dia 16 de dezembro, Cury foi flagrado pelas câmeras de segurança da Alesp passando a mão no seio da parlamentar durante sessão na Casa. Se for condenado pelo plenário, o deputado pode ter o mandato suspenso e até ser cassado.

A partir de agora, será instaurado um inquérito e um relator terá 15 dias para emitir parecer sobre o caso. Esse relatório então será votado pelo Conselho de Ética. Se Fernando Cury for condenado pelo Conselho, o processo será enviado para o plenário da Câmara.

Reunião do Conselho

A reunião desta quarta-feira teve a presença de Isa Penna e do advogado de Fernando Cury, Roberto Delmanto Jr.

Antes de analisar a representação contra Cury, o conselho discutiu a suspeição do deputado Alex de Madureira da Comissão, pedido feito em ação protocolada por Isa Penna em 8 de fevereiro por ele ter aparecido nas imagens ao lado e em conversa com Cury momentos antes do episódio de assédio.

Com apenas dois votos pedindo pela suspeição, a maioria decidiu por manter Madureira no caso.

A votação começou com o parecer da defesa, feito pelo advogado Delmanto Jr., que alegou que o cliente sempre respeitou as mulheres e que a “chefe de gabinete [de Cury] é uma mulher”. 

O advogado, inclusive, pediu pela suspeição da deputada Erica Malunguinho (PSOL), que integra a Comissão e estava presente na reunião.

Segundo Delmanto Jr., Malunguinho teria “se manifestado publicamente em seu Instagram pelo recebimento da acusação”, ou seja, pedindo que fosse aceita a ação de Isa Penna.

Em resposta, Malunguinho argumentou. “Isso não causa impedimento algum, pois não sou relatora do caso e isso não se aplica quando a decisão é unilateral”. 

Ao logo da discussão que precedeu a votação, ficou decidido que os integrantes do Conselho também iriam deliberar pela suspeição de Erica Malunguinho e ocorreu uma discussão promovida pelo deputado Adalberto Freitas, que argumentou que a deputada Isa Penna já lhe faltou com respeito em sessão no plenário.

Isa respondeu. “Assim como eu posso te cobrar no microfone, você pode se reservar ao direito de não se pronunciar. Agora, deputado, se você está tão sensível assim, porque uma deputada te cobrou um pouquinho no microfone, imagine se você tivesse sido 'encochado' ao vivo para o Brasil todo ver?” Freitas então disse que precisa “de respeito” da deputada. Foi o único momento que Penna se pronunciou ao longo da votação. 

Cada deputado, então, votou pelos dois casos em seu turno: sobre a suspeição de Erica Malunguinho e pelo recebimento da representação de Isa Penna contra Fernando Cury.

Na votação pela suspeição da deputada Erica, ela própria se absteve, enquanto os outros parlamentares votaram “não”. Por fim, ficou decidido que Malunguinho permaneceria no caso. 

Por unanimidade, foi aceita a representação contra Cury. Votaram pelo 'sim' os deputados:

  • Adalberto Freitas (PSL)
  • Emídio de Souza (PT) 
  • Barros Munhoz (PSB)
  • Maria Lúcia Amary (PSDB)
  • Wellington Moura (REPUBLICANOS)
  • Delegado Olim (PP)
  • Erica Malunguinho (PSOL)
  • Alex de Madureira (PSD)
  • Campos Machado (AVANTE)
  • Estevam Galvão (DEM)

Para relator do caso, a presidente Maria Lúcia indicou o deputado Emídio de Souza.

A CNN procurou a assessoria do deputado Fernando Cury, que ainda não comentou sobre a decisão. A deputada Isa Penna também não se pronunciou até a publicação desta reportagem. 

Nota da defesa de Fernando Cury

A defesa do deputado estadual Fernando Cury recebe a decisão tomada pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa com serenidade.

Durante todo o processo, serão apresentados argumentos e provas para demonstrar que não houve, em nenhum momento, qualquer ato de assédio, importunação sexual ou intenção de constranger ou desrespeitar a deputada Isa Penna e seu mandato.