Garcia: Decisão do STF não significa aceitar diálogos vazados como prova

STF confirmou acesso do ex-presidente às mensagens hackeadas da Operação Lava Jato

Da CNN, em São Paulo
10 de fevereiro de 2021 às 11:01 | Atualizado 10 de fevereiro de 2021 às 11:26

 

Por 4 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão que autoriza o compartilhamento de mensagens hackeadas da Lava Jato com a defesa do ex-presidente Lula. São diálogos entre procuradores da operação e Sergio Moro. O relator do caso, o ministro Ricardo Lewandowski defendeu que conversas relativas a processos judiciais entre agentes estatais não estão cobertas pelo sigilo e que, portanto, conversas por telefone também não estariam.

No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (10), o jornalista Alexandre Garcia avaliou a decisão do STF.  “É bom que a gente esclareça que isso não significa aceitar como prova, e sim ceder ao exame da defesa de Lula em mais um dos inumeráveis recursos desse processo”, disse o jornalista. “Essa decisão foi 4 a 1. Só quem discordou foi o próprio relator da Lava Jato, ministro [Edson] Fachin. Vai para defesa de Lula poder fazer mais um recurso, talvez desconsiderando a atitude e as decisões do juiz Moro. Isso vai beneficiar a defesa de Lula, sem dúvida. Embora, possa mais tarde dizer que não serve como prova porque foi obtido por meios ilícitos.”

"São diálogos obtidos por meio criminoso, tanto que os criminosos foram presos. Se a polícia grampeasse, sem a autorização judicial, um criminoso e ele fosse preso por isso, ele seria imediatamente solto porque a prova seria ilícita", acrescentou.

O Liberdade de Opinião tem a participação de Sidney Rezende e Alexandre Garcia. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN Brasil ou seus funcionários.

(Publicado por Leonardo Lellis)