Falta plano de governo para a gestão de Bolsonaro, afirma ex-presidente Temer

Para o emedebista, Bolsonaro poderia ter se tornado um "herói nacional" se tivesse centralizado o combate à pandemia

Texto por Renato Barcellos e produção por Jorge Rodrigues, da CNN, em São Paulo
17 de março de 2021 às 18:58 | Atualizado 17 de março de 2021 às 19:16

Ex-presidente da República, Michel Temer (MDB) disse, em entrevista exclusiva ao CNN 360, que falta um plano de governo, principalmente na área da saúde, para a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). 

"Eu digo sempre, com muita franqueza, o que falta para o governo, talvez, seja um plano de governo. Ou seja, que o povo saiba o que se vai fazer em cada um dos setores, especialmente no setor da saúde", afirmou.

Para Temer, caso Bolsonaro tivesse centralizado o combate à pandemia e a aquisição ainda em 2020 de vacinas contra a Covid-19, o atual chefe do executivo poderia ter se tornado um "herói nacional e um exemplo para a América Latina".

O emedebista afirmou que a maior preocupação do povo brasileiro é a divergência na sociedade em torno da vacina - ele acredita que, se a população estiver junta, a ação governamental fica mais fácil. Temer defendeu ainda que Bolsonaro receba o imunizante em público.

"Seria de uma utilidade extraordinária, porque dá o exemplo. Assim como a palavra do presidente tem um peso extraordinário, os gestos presidenciais têm um peso significativo", disse.

Volta de Lula ao cenário político

Para Temer, a fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última semana, foi um discurso de quem quer ser candidato. Ele retoma a tese que as eleições de 2022 serão divididas em dois radicalismos - de um lado com Bolsonaro, e do outro, o petista.

No entanto, Temer diz acreditar que não seja improvável a existência de uma terceira candidatura que, segundo ele, será útil para o processo eleitoral. "Isso (volta de Lula) não elimina o centro, como muitos andam dizendo", declarou.

Filiação de Rodrigo Maia e MDB em 2022

O ex-presidente disse também que a chegada do deputado federal Rodrigo Maia vai colaborar muito com o MDB. Apesar disso, Temer defendeu que o partido espere até o ano que vem para decidir quem apoiar.

"É muito apressado querer tratar de 2022 quando ainda temos de tratar de 2021. Tratar de 2021 significa combater a pandemia. Não podemos começar a tratar de 2022 como se 2021 não existisse. O MDB só vai tomar uma posição no ano que vem", afirmou.

Impeachment e Lava Jato

Temer assumiu a presidência após o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem era vice.

O emedebista também já foi Procurador-geral de São Paulo e presidente da Câmara dos Deputados.

Ele também entrou na mira da Operação Lava Jato, chegando a ser preso no dia 21 de março de 2019 em cumprimento de mandado expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Alvo de críticas por juristas, a prisão de Temer foi revogada em 25 de março pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

A Primeira Turma do TRF-2 deu nova ordem de prisão em 9 de maio, mas o ex-presidente foi solto seis dias depois pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça.

O ex-presidente Michel Temer
Foto: Marcos Correa/PR