Maioria considera Lula culpado e vê que Fachin agiu mal, diz Datafolha

A anulação das condenações no âmbito da Lava Jato, que tornou o ex-presidente elegível novamente, não foi bem aceita por 51% dos ouvidos

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
22 de março de 2021 às 09:10 | Atualizado 22 de março de 2021 às 15:39

Para 57% da população, a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex no Guarujá foi justa. Outros 51% consideram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, agiu mal ao decidir anular as decisões contra o petista.

É o que revela a pesquisa Datalha, divulgada nesta segunda-feira (22), que ouviu 2.023 pessoas entre os dias 15 e 16 março. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos. 

Para 38% dos ouvidos pelo Datafolha, a decisão foi injusta, outros 5% não souberam opinar.

Lula foi condenado pelo então juiz Sergio Moro há 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex, no âmbito da Operação Lava Jato.

A pena foi aumentada pela 12 anos e um mês na segunda instância e, depois, reduzida a 8 anos e 10 meses no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Lula foi preso em abril de 2018 e foi solto em novembro de 2019 após mudança de entendimento do STF sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

Ex-presidente Lula fala após ter condenações anuladas
Foto: CNN (10.mar.2021)

Ainda no ínicio deste mês, Fachin anulou as condenações de Lula na Lava Jato e mudou seu entendimento acerca das competências da vara de Curitiba, que era comandada pelo então juiz Moro.

Para 51% dos ouvidos, Fachin agiu mal ao anular as condenações; 42% acreditam que o ministro acertou e outros 6% não souberam responder. 

O ministro do STF (Supremo Tribunal de Justiça), Edson Fachin
Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo (1º.out.2019)

A decisão de Fachin ainda deve ser apreciada pelo plenário do Supremo. Com as anulações, Lula voltou a se tornar elegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. 

Quando questionados sobre a possibilidade do ex-presidente concorrer às eleições em 2022, 51% não querem que ele dispute o pleito, enquanto 47% aprovam a candidatura.