Bolsonaro pede que Congresso assuma interlocução com governadores

Presidente indicou que caberá a partir de agora ao senador Rodrigo Pacheco essa tarefa para combater o coronavírus

Renata Agostini
Thais Arbex
24 de março de 2021 às 13:33 | Atualizado 24 de março de 2021 às 16:05

 O presidente Jair Bolsonaro sugeriu transferir para o Congresso Nacional a interlocução com os governadores. A decisão de deixar com o Legislativo a missão de coordenar as ações com os estados foi anunciada durante reunião com os chefes dos demais poderes nesta quarta-feira (24), segundo relato de autoridades presentes à CNN.

Bolsonaro indicou que caberá a partir de agora ao senador Rodrigo Pacheco essa tarefa. O plano surpreendeu alguns dos presentes, mas foi visto como uma forma de tirar o presidente da rota de confronto com rivais, como o governador João Doria, e abrir espaço para que ele se dedique ao discurso da vacinação em massa.

A fala do presidente sobre terceirizar ao Congresso a conversa com governadores ocorreu enquanto se discutia justamente a criação do comitê de enfrentamento à pandemia. A ideia é que o comitê tenha representatividade ampla. Falou-se no encontro em reunir um grupo de até 100 pessoas para que haja pluralidade de vozes e de sugestões no combate à crise.

Bolsonaro ao lado de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, e Luiz Fux, presidente do STF
Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A sugestão de criar um comitê nesses moldes já havia sido feita anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. A proposta chegou a ser encaminhada pelo ministro Dias Toffoli quando ainda presidia a corte no ano passado.

O agravamento da crise e a escalada no número de mortos pela Covid-19 fez com que auxiliares presidenciais o convencessem a abraçar a ideia neste momento.

Durante o encontro, que ocorreu no Palácio da Alvorada, houve sugestão de medidas concretas que o governo federal já deveria coordenar. O presidente da Câmara, Arthur Lira, pediu ações para evitar aglomerações no transporte público, segundo o relato de presentes.

O deputado argumentou que se trata de uma das principais formas de disseminação do vírus e, por isso, é preciso escalonar horários, aumentando a oferta de transporte para evitar aglomerações especialmente nos momentos de pico.

De acordo com autoridades que participaram do encontro, o presidente se empenhou em fazer com que a reunião transcorresse em bom clima. Abriu o encontro com uma fala pregando a união dos Poderes e logo passou a palavra ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Em retribuição, houve palavras de apoio das lideranças. Governadores convidados, quase todos alinhados ao Palácio do Planalto, também indicaram durante a reunião aprovar o movimento do presidente. Mas também houve cobranças. Um dos governadores usou sua fala para alertar ao presidente sobre os milhares de brasileiros que, naquele momento, estavam hospitalizados ou em UTI por causa da Covid e que a população esperava uma reação do presidente da República diante do agravamento da pandemia.