Preferido para o Supremo, André Mendonça deve ter passagem relâmpago pela AGU

Ele pode ser indicado para a vaga de Marco Aurélio Mello, que vai se aposentar em 5 de julho

Thais Arbex
Por Thais Arbex, CNN  
30 de março de 2021 às 13:33 | Atualizado 30 de março de 2021 às 18:44

Transferido para a Advocacia-Geral da União (AGU) na reforma ministerial desta segunda-feira (29), o ministro André Mendonça deve ter passagem relâmpago pelo órgão que comanda pela segunda vez no governo Jair Bolsonaro.

De acordo com relatos feitos à CNN, a expectativa é de que Mendonça seja indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em breve. Nesta terça (30), o ministro Marco Aurélio Mello, encaminhou um ofício à presidência do Supremo informando que vai se aposentar em 5 de julho. Decano do STF, Marco Aurélio se aposentaria compulsoriamente no dia 12 de julho, quando completa 75 anos.

Segundo a CNN apurou, o comunicado do decano à presidência do STF deve acelerar a decisão de Bolsonaro. Internamente, o presidente já havia externado a intenção de indicar seu nome em meados de maio.

Nesta segunda, ao decidir deslocar Mendonça para o comando da AGU, Bolsonaro, de acordo com relatos feitos à CNN, indicou que estava preservando o indicado ao Supremo. A ideia do presidente é que o ministro fique menos exposto até que o seu nome seja confirmado para a cadeira no tribunal.

André Mendonça
André Mendonça é um dos nomes cotados para o Supremo
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Mendonça foi alçado ao posto de “supremável” nos primeiros meses do governo Bolsonaro. O ministro chegou a ser cotado para a vaga de Celso de Mello, quando o presidente surpreendeu e indicou Kássio Nunes Marques, que até então não aparecia entre os cotados.

Desde então, no entanto, Bolsonaro passou a dizer em conversas reservadas e também publicamente que a vaga aberta com a saída de Marco Aurélio Mello seria destinada a um evangélico. Mendonça frequenta a igreja Presbiteriana Esperança de Brasília.

Nos últimos meses, o até agora ministro da Justiça ganhou apoio de parte significativa da bancada evangélica do Congresso. Embora seu nome não seja consenso entre todo o Parlamento, o compromisso de Bolsonaro com o grupo é apontado como fator determinante para que o presidente não ceda a pressões.

Nos últimos dias, líderes do Legislativo foram informados que a indicação de Mendonça é tratada como certa — embora ainda exista um movimento pelos nomes do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins.