CNMP pede a Lava Jato do RJ que se manifeste sobre acusações de Jucá e Lobão

Os ex-senadores acusam a Lava Jato do Rio de ter vazado informações de uma denúncia contra eles protocolada pelos procuradores em março deste ano

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
05 de abril de 2021 às 19:03 | Atualizado 05 de abril de 2021 às 19:20
Romero Jucá e Edison Lobão
Romero Jucá e Edison Lobão
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil e Senado/Divulgação

O Conselho Nacional do Ministério Público pediu que integrantes da Lava Jato do Rio de Janeiro se manifestem sobre uma ação promovida contra eles no órgão pelos ex-senadores Romero Jucá e Edison Lobão.

Ambos questionam a “suposta divulgação indevida de informações sigilosas provenientes de processo judicial”. Os ex-senadores acusam a Lava Jato do Rio de ter vazado informações de uma denúncia contra eles protocolada pelos procuradores em março deste ano. 

De acordo com eles, a denúncia foi apresentada dia 9 de março e distribuída no dia 18 de março. Nesse meio tempo, informações teriam sido disponibilizadas no site do Ministério Público Federal.

“Diversas informações relacionadas à referida denúncia ministerial e processo judicial correspondente foram veiculadas no portal de notícias do Ministério Público Federal, em 10 de março de 2021 (cópia em anexo), tendo se consolidado o vazamento das informações de acesso restrito por um período de oito dias, já que a decisão de recebimento da denúncia e reclassificação do sigilo ocorreu apenas em 18 de março de 2021”, diz a representação.

Os procuradores terão 15 dias para prestar informações ao conselho. Em nota, a força-tarefa da Lava Jato comentou a representação. 

“Os procuradores representados tiveram conhecimento da representação pela imprensa. Ela não faz sentido, porque todas as denúncias oferecidas pela força-tarefa e divulgadas pela Ascom são públicas, e não houve exceção para nenhuma das 104 oferecidas contra 894 pessoas ao longo de quase cinco anos. A sociedade tem o direito de saber o conteúdo de acusações criminais e dos resultados de quaisquer investigações, ainda mais as que envolvam corrupção e desvios milionários por parte de agentes públicos.  É sintomático que, num país em que os escândalos de corrupção são uma constante, os ocupantes de mandato eletivo tentem impedir o exercício do direito à informação e tentem constranger e perseguir os investigadores com instrumentos como reclamações perante os órgãos de controle.”