À CNN, Kajuru diz que Bolsonaro não recebeu presidente da Pfizer em 2020

Em entrevista à CNN, senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) se disse rompido com o presidente Jair Bolsonaro

Gregory Prudenciano e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília
12 de abril de 2021 às 18:10 | Atualizado 13 de abril de 2021 às 09:42

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou, em entrevista exclusiva à repórter Rachel Vargas, da CNN, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria, em 2020, deixado o presidente da farmacêutica americana Pfizer esperando por 10 horas para uma reunião que não teria acontecido.

"O presidente da Pfizer veio ao Brasil no ano passado para oferecer vacina ao presidente Bolsonaro. Ele chegou no Palácio [do Planalto] às 8 horas da manhã. Às 18 horas - olha o tempo que ele ficou lá, o chá que ele levou -, disseram a ele que o presidente não poderia atendê-lo", contou Kajuru. "Isso é gravíssimo, certo? E há provas sobre isso. Tem um ex-ministro que conta essa situação, ele fala sobre isso, ele viu, um ex-ministro da Saúde que, na hora certa, todo mundo saberá", disse o senador, sem citar nomes.

À CNN, a Pfizer disse que o relato do senador não procede. O Palácio do Planalto ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Kajuru também se disse rompido com o presidente Bolsonaro, com quem afirmou que "nunca mais" vai voltar a falar. Apesar disso, Kajuru não se colocou na oposição ao governo.

"Vou continuar na torcida para o governo se recuperar, ser contra o governo Bolsonaro é ser contra o Brasil", explicou. "Não vou ser rancoroso, vou continuar apoiando o que for correto e criticando aquilo que tiver de ser criticado."

Senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em entrevista à CNN (12.abr.2021)
Senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em entrevista à CNN (12.abr.2021)
Foto: CNN Brasil

Entenda o caso

O senador Jorge Kajuru divulgou no domingo (11) a gravação de um telefonema entre ele e o presidente Jair Bolsonaro. Na conversa, Bolsonaro pressionou para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a condução do governo federal na Covid-19 seja ampliada para investigar também governadores e prefeitos.

O parlamentar disse à CNN que ligou para o presidente Jair Bolsonaro para reclamar de críticas que o presidente estaria dirigindo a senadores e para explicar a Bolsonaro que ele, Kajuru, e também outros senadores defendem que também sejam investigados governadores e prefeitos.

Nesta segunda-feira (12), Kajuru divulgou outro trecho da conversa em que Bolsonaro aparece dizendo que teria que "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido de abertura da CPI da Covid-19.

De acordo com Kajuru, o presidente foi avisado pelo próprio parlamentar de que a conversa seria divulgada, e consentiu com a atitude. "Se ele falasse para mim 'não coloca', eu não colocaria, mas ele conversou comigo, eu penso, de forma republicana", justificou o senador.

CPI da Covid

O governo federal se movimenta para que não seja o único alvo da CPI. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), instaure a CPI, que há meses já tinha mais do que as 27 assinaturas necessárias para ser instalada.

A decisão de Barroso foi alvo de críticas de Pacheco e do próprio presidente Jair Bolsonaro, que acusou Barroso de intervir indevidamente em outro Poder e de agir movido por "militância política".

A iniciativa de Barroso agora será discutida no plenário do STF. O presidente da Corte, ministro Luiz Fux, marcou para quarta-feira (14) o julgamento sobre a instalação da CPI no Senado Federal.