Renan desiste de pedir ao STF inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos

Renan Calheiros, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, decidiu recuar da estratégia, em acordo com o grupo que forma a maioria do colegiado

Thais Arbex
Por Thais Arbex, CNN  
01 de maio de 2021 às 12:08 | Atualizado 01 de maio de 2021 às 12:18
O senador Renan Calheiros (MDB-AL)
O senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (15.dez.2020)

 O senador Renan Calheiros (MDB-AL) desistiu, por ora, de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a dois inquéritos que investigam aliados do governo Bolsonaro, o das fake news e o dos atos antidemocráticos. Embora os requerimentos de compartilhamento das investigações já constem como aprovados pela CPI da Pandemia, Renan, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, decidiu recuar da estratégia, em acordo com o grupo que forma a maioria do colegiado. 

A CNN apurou que pesaram para a decisão de Renan dois pontos específicos: o fato de que a CPI precisa demonstrar objetos específicos de conexão dos inquéritos com a apuração do Senado, o que é tido como inexequível neste início de trabalhos da comissão, e, acima de tudo, a avaliação de que não é momento de o Supremo ser colocado no debate da CPI da Pandemia. Até porque os dois inquéritos têm apoiadores do presidente Jair Bolsonaro como os principais alvos.

De acordo com aliados de Renan, a proposta deve ficar, por enquanto, em banho-maria e a ideia é que, antes de decidir pelo pedido de compartilhamento, a cúpula da CPI se reúna com o ministro Alexandre de Moraes, relator dos dois inquéritos no Supremo, para debater a viabilidade da requisição. 

A avaliação inicial de Renan era a de que o compartilhamento do inquérito das fake news poderia elucidar se houve apoio financeiro de grupos já investigados pelo Supremo na disseminação de notícias que incentivam o uso de remédios não comprovados cientificamente no tratamento da Covid-19. Com os dados do inquérito dos atos antidemocráticos, a perspectiva era a de encontrar relações com incentivo a manifestações que possam ter propiciado, propositadamente, a propagação do vírus.