Defesa de Lula pede suspeição de procuradores de caso sobre caças suecos

Pedido feito à Justiça foi feito com base na troca de mensagens entre integrantes da Lava Jato, apreendidas na Operação Spoofing

04 de maio de 2021 às 12:18 | Atualizado 04 de maio de 2021 às 12:54
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Reprodução / Instagram

 

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou, na noite desta segunda-feira (3), com um pedido de suspeição dos procuradores que atuam no caso da compra de caças suecos durante o governo Dilma Rousseff.

O pedido dos advogados de Lula à 10° Vara Federal em Brasília foi feito com base na troca de mensagens entre integrantes da Lava Jato, apreendidas na Operação Spoofing. 

Um depoimento do ex-presidente no processo da Operação Zelotes está marcado para o dia 27 de maio. À Justiça Federal, a defesa de Lula afirma que as mensagens mostram que a denúncia sobre irregularidades na compra dos caças foi idealizada e gestada em Curitiba, e depois assumida pelos procuradores Frederico Paiva e Hebert Reis Mesquita em Brasília. 

Segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), o petista participou de negociações irregulares para a compra de 36 caças Gripen, fabricados pela empresa sueca Saab. Os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015. 

Na peça, os advogados de Lula afirmam que “a acusação deduzida na denúncia que originou a ação penal em tela foi idealizada pela Lava Jato de Curitiba, dentro de um “plano” que buscava liquidar” o ex-presidente. De acordo com a defesa, as mensagens da Spoofing mostram que “para fabricar a acusação”, “os procuradores de Curitiba recorreram à atuação ilegal da Receita Federal e até mesmo a articulações com autoridades norte-americanas”. 

A troca de mensagens da Lava Jato, dizem os advogados, mostra que os procuradores foram colocados em grupos específicos no Telegram para tratar do caso dos caças e que eles decidiram levar o caso adiante após uma “revisão” da força-tarefa de Curitiba. De acordo com a defesa, foi nesse contexto que, após uma série de testemunhas serem ouvidas — entre as quais a própria ex-presidente Dilma Rousseff —, os procuradores viabilizaram o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci. 

Segundo os advogados, as mensagens mostram que os procuradores de Brasília “combinaram com a Lava Jato de Curitiba até mesmo o conteúdo do depoimento de Antonio Palocci, que foi ouvido como ‘testemunha do juízo’”. 

Procurados pela CNN, o procurador Hebert Reis Mesquita e os procuradores da República que integraram a força-tarefa Lava Jato no Paraná informaram que não vão se manifestar