Barroso: 'Mudar para voto impresso seria inútil para conter discurso de fraude'

Tribunal Superior Eleitoral lançou, nesta sexta-feira (14), campanha para demonstrar a segurança e transparência da urna eletrônica

Anna Satie e Gabriela Coelho, da CNN, em São Paulo e em Brasília
14 de maio de 2021 às 17:24 | Atualizado 14 de maio de 2021 às 17:43

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta sexta-feira (14), durante a cerimônia de lançamento de uma campanha do tribunal sobre a segurança e transparência da urna eletrônica, que a mudança para o voto impresso seria "inútil relativamente ao discurso da fraude". 

"Esse é um discurso político. Nos Estados Unidos, havia voto impresso e boa parte dos que defendem o voto impresso no Brasil disseram que houve fraude nas eleições dos Estados Unidos. Então, ficaríamos no mesmo lugar", afirmou Barroso na cerimônia. 

Em um vídeo de cerca de 15 minutos narrado pelo próprio ministro, o TSE mostrou o processo das urnas, desde o desenvolvimento do programa que é inserido nelas até a totalização dos votos. 

Barroso afirmou que a campanha lançada hoje foi idealizada em 2020, e que ela não é de resposta a ninguém e nem de "polemização". "É apenas de transparência, para conhecimento pleno e informação fidedigna sobre a lisura do processo eleitoral", afirmou o presidente do TSE. 

Voto impresso

O lançamento da proposta acontece um dia após o aniversário de 25 anos do uso da urna eletrônica e também da instalação de uma comissão na Câmara dos Deputados que vai analisar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tornaria o voto impresso obrigatório, da deputada Bia Kicis (PSL-DF). 

O presidente do TSE disse que, se a proposta for aprovada e promulgada, as instituições deverão cumprir a decisão do Congresso Nacional, mas citou quatro "inconveniências" do método.

A primeira seria o custo, que já foi estimado em cerca de R$ 2 bilhões para a impressão do voto. "O Congresso é o lugar para avaliar se esse é um bom momento para fazer esse investimento". 

A segunda seria o perigo da quebra de sigilo do voto. Em terceiro, ele citou uma experiência em 2002 em que cerca de 6% das urnas tiveram voto impresso.

O ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, durante cerimônia do tribunal
Foto: Reprodução/YouTube (14.mai.2021)

"Não funcionou bem, houve filas, atrasos, aumento dos votos brancos e nulos, emperramento das impressoras, não foi uma boa experiência. Temos um largo relatório relatando essa experiência de implantação do voto impresso".  

Por fim, ele citou o risco de judicialização das eleições. "Ninguém precisa disso, o poder emana do povo e não dos juízes, precisamos que as urnas falem, e não o Poder Judiciário também nisso", declarou. 

Críticas à urna eletrônica

Questionado pela CNN como avalia as críticas do presidente Jair Bolsonaro à urna eletrônica, Barroso disse que ele tem direito de pensar e se expressar "como a ele pareça bem".

"Meu papel é demonstrar como o sistema funciona, a segurança, a transparência e a auditabilidade do sistema. Esse é o nosso papel, o resto é política, que tem lógica e retórica próprias", declarou.

"Esse universo de pós-verdade e fatos alternativos faz mal à democracia. Precisamos saber o que acontece e depois ter opinião. Portanto, respeito quem defende o voto impresso. Agora, dizer que tem fraude tem que provar. Do contrário, é retórica política e eu não comento", finalizou.