'Presidente nunca me deu ordens diretas para nada', diz Pazuello à CPI

Ex-ministro da Saúde nega que tenha assumido o cargo sob condição de recomendar uso de cloroquina e diz que Jair Bolsonaro não interferiu em sua gestão

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo, e Bia Gurgel, da CNN, em Brasília
19 de maio de 2021 às 11:07 | Atualizado 19 de maio de 2021 às 11:36

O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou nesta quarta-feira (19) em depoimento à CPI da Pandemia que sua nomeação para a pasta nunca esteve vinculada a qualquer tipo de ordem específica do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a autorização de uso da cloroquina ou de qualquer outro medicamento contra a Covid-19.

"Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada", disse Pazuello, ao ser questionado sobre essa possibilidade pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Ele também negou que houvesse qualquer tipo de acoelhamento paralelo e externo ao presidente em relação às questões da pandemia do novo coronavírus.

"Para colocar uma pedra neste assunto: o presidente falou para mim e para os ministros várias vezes: 'assunto de Saúde quem trata é o ministro Pazuello'", afirmou.

"Nunca, nunca, vou repetir, nem uma vez eu fui chamado para ser orientado pelo presidente de forma diferente por aconselhamentos externos. Não quero dizer com isso que qualquer pessoa e, principalmente, um presidente da República não ouça pessoas ou não levante dados para avaliar o que acontece em volta dele", completou.

"Seria um absurdo o presidente não ouvir opiniões, não ouvir versões para criar a própria posição dele. Daí para ele trazer de qualquer relação uma orientação contrária à do Ministério ou minha, nunca houve."

Pazuello disse ainda que teve 100% de autonomia para formar sua equipe, ao assumir a pasta de forma interina com a saída de Nelson Teich do comando do Ministério.