À CPI, Pazuello diz que uso do TrateCov foi suspenso após ser hackeado

Ex-ministro da Saúde diz que objetivo da plataforma era fornecer uma 'calculadora' para acelerar diagnósticos, mas que o aplicativo foi alterado por hacker

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo, e Bia Gurgel, da CNN, em Brasília
20 de maio de 2021 às 10:53 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 11:01

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou nesta quinta-feira (20) à CPI da Pandemia que o aplicativo TrateCov foi hackeado e, por isso, apresentava resultados diferentes do esperado.

Pazuello afirmou ainda que a ideia original do Ministério da Saúde era oferecer uma ferramenta que auxiliasse os médicos a fazerem um diagnóstico mais rápido de casos de Covid-19 diante da velocidade com a qual a doença se espalhava no Amazonas.

"No dia 6 de janeiro a secretaria Mayra [Pinheiros], quando voltou de Manaus, trouxe a sugestão de fazermos uma plataforma, uma calculadora, que facilitasse o diagnóstico (...) Temos que separar o que foi feito, o resultado, com a ideia do projeto. A ideia era uma calculadora que facilite o diagnóstico", disse o ex-ministro. 

O ex-ministro afirmou que a ideia era, após os médicos colocarem os sintomas observados no aplicativo – dando pesos para cada um deles – receber uma sugestão de diagnóstico. Ele disse, porém, que depois da apresentação o TrateCov foi hackeado e teve seus parâmetros alterados.

"Naquele dia [10 de janeiro] a plataforma foi hackeada, roubada por um cidadão, que foi descoberto. Ele alterou dados lá dentro e colocou na rede pública. Quem colocou foi ele, tem todo o Boletim de Ocorrência e vou disponibilizar aos senhores", detalhou.

"Quando descobrimos que ele foi hackeado mandei tirar do ar imediatamente. O TrateCov, no fim das contas, nunca foi utilizado por médico algum. Ele foi retirado. Ele foi iniciado, apresentado ainda não concluso."

Ex-ministro Eduardo Pazuello presta depoimento à CPI da Pandemia
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado