Gesto de Lula e FHC reforça ação do petista no centro

Na avaliação de membros do Centrão, gesto do ex-presidente petista reforça ação de unificação para enfrentar Bolsonaro em 2022

Da CNN, em São Paulo
21 de maio de 2021 às 18:02 | Atualizado 21 de maio de 2021 às 18:09

Integrantes de partidos de centro próximos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmaram à âncora da CNN Daniela Lima que o encontro dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi "histórico". O tucano e o petista se reuniram para um almoço organizado pelo ex-ministro Nelson Jobim nesta sexta-feira (21).

Segundo os membros do Centrão ouvidos pela âncora da CNN Daniela Lima - que compõem atualmente o governo Jair Bolsonaro -, a imagem significou o maior gesto de aproximação política dos dois desde as Diretas Já, e tem impacto muito forte em duas direções.

A primeira é tirar o "véu de radicalismo" de Lula e mostrar que o petista, que por muitos anos trocou rusgas com FHC, abriu mão do conflito para fazer uma sinalização clara de que está disposto a compactuar, ou até mesmo compor, com adversários políticos em nome da disputa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022.  A outra é de que a foto abre portas para o petista no centro e na elite.

Na avaliação do PT, a foto ao lado de FHC mostra que Lula "virou a chave" e que estaria disposto agora a sinalizar em uma direção clara de união. 

A ideia do petista é transformar a eleição de 2022 em um pleito "plebiscitário", com Bolsonaro - e o que Lula vê como radicais - de um lado e o "campo democrático" de outro. 

O ex-presidente avalia que, no momento, seu nome é o mais forte para a disputa presidencial contra Bolsonaro, mas não tem fechado portas a conversar com outros nomes. 

O ex-presidente ainda pretende ter mais diálogos como o de hoje em ofensivas regionais, com encontros pontuais em estados-chave, a exemplo do Rio de Janeiro. Com isso, o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia têm papel fundamental nessa estratégia. 

Os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso (21 de maio de 2021)
Foto: Divulgação