Exército multiplicou produção de cloroquina por 12 vezes em 2020

Força possui estoque de 298 mil comprimidos, que não distribui desde janeiro

Iuri Pitta e José Brito, da CNN, em São Paulo
25 de maio de 2021 às 16:41 | Atualizado 25 de maio de 2021 às 16:42
Pílulas de hidroxicloroquina
Para SBP, prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina para crianças e adolescentes é inadequada em razão da falta de evidências consistentes
Foto: George Frey - 27.mai.2020 / Reuters

A produção de compridos de cloroquina pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEX) em 2020 foi multiplicada por mais de 12 vezes e passou de 3,2 milhões de comprimidos, quando teve início a pandemia da Covid-19, ante menos de 260 mil unidades fabricadas em 2017, suficientes para atender a demanda dos anos de 2018 e 2019. Os dados constam de ofício enviado à CPI da Pandemia nesta semana.

De acordo com o documento, seis em cada dez comprimidos de cloroquina foram distribuídos para estados e municípios pelo Ministério da Saúde durante os primeiros cinco meses da gestão do general Eduardo Pazuello, num montante de mais de 1,4 milhão de unidades. O maior volume foi enviado em julho, com quase 886 mil comprimidos.

Outros 34% do total da produção, equivalente a 830 mil doses, foram distribuídos ainda sob o comando de Luiz Henrique Mandetta. O restante, cerca de 170 mil comprimidos, foi enviada durante a passagem de Nelson Teich pela pasta.

O ofício confirma ainda informação obtida pela CNN de que o Exército tem em estoque 298 mil comprimidos de cloroquina, número superior à demanda dos dois anos anteriores à pandemia, conforme o documento.

De acordo com o ofício, assinado pelo general Francisco Humberto Montenegro Junior, chefe de gabinete do Comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, os hospitais militares receberam 477.610 doses de cloroquina ao longo de 2020 e 2021.

Entre os meses de setembro de 2020 e janeiro de 2021, o governo federal distribuiu 482 mil doses de hidroxicloroquina para tratar pacientes com Covid-19, conforme solicitação das secretarias estaduais e municipais de Saúde. A informação foi confirmada pelo Exército brasileiro à CNN, em fevereiro.

Na época, os três estados que mais receberam doses do medicamento foram Rio Grande do Sul, com 129,5 mil, Bahia, com 112,5 mil e Santa Catarina, com 91 mil. Em seguida, aparecem Mato Grosso (40 mil), Goiás (38,5 mil), Minas Gerais (34,5 mil), Paraná (28,5 mil), Alagoas (5,5 mil) e Rio de Janeiro (2 mil).

Questionado pela reportagem sobre novos envios de cloroquina aos estados e municípios, o Exército disse, no dia 7 de maio, que não houve novas distribuições do medicamento, desde janeiro deste ano. Na última segunda-feira (25), informaram que uma eventual redução do estoque de cloroquina é devida ao fornecimento da dotação (capacidade prevista) para as regiões militares.