Defesa de Flordelis vai entrar com recurso para evitar a perda do mandato

Parlamentar tem cinco dias úteis para recorrer da decisão do Conselho de Ética

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
10 de junho de 2021 às 07:52 | Atualizado 10 de junho de 2021 às 09:47
A deputada Flordelis
A deputada Flordelis
Foto: Claudio Andrade/Câmara dos Deputados

A defesa da deputada federal Flordelis dos Santos de Souza afirmou à CNN, na noite desta quarta-feira (9), que vai entrar com um recurso contra a cassação do mandato da parlamentar. Por 16 votos a um os membros do Conselho de Ética da Câmara decidiram cassar o mandato da deputada federal.

A parlamentar é acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019.

Após a publicação do pedido de cassação no Diário Oficial da Câmara dos Deputados, os advogados da parlamentar terão até cinco dias úteis para entrar com o recurso. A previsão é de que a decisão do Conselho de Ética seja publicada no D.O até esta sexta-feira (10). 

Caso o recurso seja negado, o processo segue para o plenário da Câmara, onde a maioria absoluta dos deputados – 257 dos 513 parlamentares – decide sobre a perda ou manutenção do mandato. Ainda não há data para a votação em plenário.  

O processo vai à plenário após os deputados da Câmara aprovarem o relatório do deputado Alexandre Leite (DEM-SP), apresentado na última semana, que pediu a cassação da deputada. 

“O que a gente percebe é que essa versão de pessoa generosa, afetuosa, religiosa, altruísta [de Flordelis], foi descortinada para dar lugar a uma personalidade desvirtuada, perigosa e manipuladora. E, por isso, voto pela perda do mandato da deputada, tendo em vista que a representada tem um modo de vida inclinado para práticas de conduta não condizentes com o que se espera de um representante do povo”, diz um trecho do voto do deputado Alexandre Leite.  

Processo criminal

A deputada Flordelis dos Santos de Souza é ré na Justiça, acusada pelo MP-RJ de ter sido a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019.

A parlamentar responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

Até o momento, Flordelis não foi presa por causa da imunidade parlamentar. A deputada, porém, é monitorada por uma tornozeleira eletrônica.