Há 'indícios gravíssimos' de cometimento de crime na Saúde, afirma senador

À CNN, deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que levou a Bolsonaro "provas contundentes" de irregularidades nas negociações para a compra da vacina Covaxin

Elis Franco e Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
23 de junho de 2021 às 15:54 | Atualizado 23 de junho de 2021 às 16:49

O senador Alessandro Vieira (sem partido-SE) afirmou em entrevista à CNN nesta quarta-feira (23) que há “indícios gravíssimos” do cometimento de crime no âmbito do Ministério da Saúde, após o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) revelar, também à CNN, que levou pessoalmente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "provas contundentes" de irregularidades nas negociações para a compra da vacina Covaxin.

No entanto, na avaliação do senador -- que integra a CPI da Pandemia -- é cedo para dizer que Bolsonaro cometeu um crime, mas há evidências de que o chefe do Executivo teve acesso às informações citadas por Miranda e não realizou as medidas cabíveis.

“Do ponto de vista político, [o Palácio do Planalto] certamente terá danos. Mas na CPI a gente cuida de fatos com repercussões jurídicas. Entendo que é precoce dizer que o Presidente da República é investigado pela prática de um crime, mas podemos dizer que temos indícios gravíssimos do cometimento de crime no âmbito do Ministério da Saúde e um indício forte que o Presidente teve acesso à essas informações e não tomou nenhuma providência”, disse Vieira.

Para o parlamentar, as informações reveladas pelo deputado são “gravíssimas”. Ele ressaltou ainda que a CPI já vinha monitorando o caso a partir do depoimento de um servidor do Ministério da Saúde -- irmão de Luis Miranda --, que relatou pressões sofridas para contratar a vacina Covaxin através da Precisa Medicamentos.

Nova oitiva com o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Alessandro Vieira lembrou que a reconvocação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello já foi aprovada e avaliou que após essas revelações, a presença do militar se tornou “absolutamente indispensável”.

“Não há como deixar de ouvir o ex-ministro, uma vez que você tem muito claramente denúncias graves de cometimento de fraude e cometimento de crimes dentro do Ministério da Saúde. A gente está falando de contratos que são milionários, e não se tem notícia de nenhuma solicitação de providência junto á Polícia Federal e ao Ministério Público Federal”, disse.

Foto: CNN Brasil(23.jun.2021)