Mandado de prisão contra Dias elenca supostas contradições; leia íntegra

Documento foi assinado pelo presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
07 de julho de 2021 às 20:35
Ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias
Ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias
Foto: Pedro França/Agência Senado

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), determinou nesta quarta-feira (7) a prisão de Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde.

Em um documento de oito páginas, Aziz afirma que "foram verificadas diversas contradições nas informações prestadas pela testemunha compromissada". Por "testemunha compromissada", o presidente da CPI quer dizer a testemunha que, diante da comissão, assumiu o compromisso de dizer a verdade.

"Malgrado as diversas oportunidades para retratação conferidas pelos membros que lhe fizeram indagações, o depoente optou conscientemente por não se retratar a respeito de qualquer termo de seu depoimento", escreve o senador Omar Aziz.

As supostas contradições apontadas por Omar Aziz:

"- O depoente informa que não sabe que tentaram exonerá-lo.
- O depoente não explica quem viabilizou sua permanência no cargo, após sucessivas trocas de ministros."

"Para além disso,
- O depoimento não teria marcado com Blanco e Domingueti. Afirma que não sabe como Blanco saberia que ele estaria lá. Não demorou mais do que uma hora e meia.
- O Luiz Domigueti afirma que o jantar foi marcado para tratar de vacinas; mensagens no celular do denunciante mostram que ele falava sobre o depoente antes do jantar e demonstra conhecimento.
- Mensagens divulgadas pela FSP mostram conversas entre Dias e Cristiano (Davati) semanas antes do jantar.
- A reunião no Ministério da Saúde foi marcada para o dia seguinte ao jantar.
- Declarou que nunca ocorreu o pedido de propina relatado por Domingueti.
- Desconhece a participação de outros militares envolvidos na, supostamente, falsa denúncia.
- A exoneração do depoente ocorreu logo depois de tornada pública a denúncia de pedido de propina por Luiz Dominguetti.
- Apesar de tentar se manter distante de Coronel Blanco, admite que se relacionavam e que “soube” que depois de deixar o ministério, o coronel estava atuando em negócios farmacêuticos. 

- O depoente declarou que não conhece, nem teria acesso ao Presidente da República.
- O depoente declarou que não teve relações com Amilton Gomes de Paula, mas que o encontrou oficialmente quando recebeu a informação de que Amilton teria acesso a 100 milhões de vacinas. Mas, Amilton não possuía representação oficial do fabricante de vacinas."

Defesa vê 'abuso de autoridade'

Segundo a analista de política da CNN Thaís Arbex, a defesa do ex-diretor Roberto Dias irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão de Omar Aziz. Para os advogados de Dias, Aziz cometeu "abuso de autoridade" ao determinar a prisão do ex-diretor.

A defesa de Roberto Dias pretende apelar ainda para um aspecto técnico, usando um trecho do regimento do Senado que proíbe o funcionamento simultâneo de comissões com a votação no plenário da Casa. Como a chamada "ordem do dia" já tinha sido iniciada, os advogados vão argumentar que o ato que mandou prender o ex-diretor seria nulo.

Leia a íntegra da ordem de prisão contra Roberto Dias

Mandado de prisão de Roberto Dias
Foto: Reprodução

 

Mandado de prisão de Roberto Dias
Foto: Reprodução

 

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