Aziz envia carta a Bolsonaro para cobrar posição sobre denúncia de Miranda

Presidente da CPI entrou na mira do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e do presidente Bolsonaro após mandar prender o ex-servidor da Saúde Roberto Dias

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
08 de julho de 2021 às 14:10 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 14:13

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), cobrou do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) uma posição sobre as declarações dadas pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que disse ter alertado o chefe do Executivo sobre irregularidades na negociação para compra da vacina Covaxin.

"Eu, o vice-presidente e o relator estamos mandando uma pequena carta para o senhor dizer se o deputado Luis Miranda está mentindo (...) Por favor, presidente, diga que o deputado Luis Miranda é um mentiroso. [Diga] Que o seu líder na Câmara é honesto!", afirmou.

Aziz, que foi citado por Bolsonaro durante conversa com apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, ressaltou que nunca o chamou de "genocida" e nem o acusou de praticar "rachadinha".  "Eu lhe acuso de ser contra a ciência, isso está claro", disse.

"Presidente, eu te desafio a procurar um processo que eu seja réu ou denunciado. Vossa Excelência precisa procurar... o senhor já mandou seus agentes de informação vasculharem minha vida toda. Eu não tenho dúvida disso. Eu nunca lhe chamei de genocida (...) mas nem propaganda de vacinação este governo quis fazer", finalizou Aziz.

Nesta quarta-feira (7) , o Ministério da Defesa e as Forças Armadas emitiram uma nota oficial repudiando as declarações do presidente da CPI dadas durante a sessão que ouvia o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, que acabou preso.

Segundo o comunicado, Aziz "desrespeitou" os militares e "generalizou esquemas de corrupção".

Foto: Pedro França/Agência Senado