CPI da Pandemia avalia que não cabe ouvir primeira-dama Michelle Bolsonaro

Segundo integrantes da cúpula da comissão, não há elementos para, nem mesmo, cogitar um requerimento de convite, em que a pessoa não é obrigada a comparecer

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
13 de julho de 2021 às 16:43 | Atualizado 13 de julho de 2021 às 17:02
A primeira-dama Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro foi citada em conversas no celular do vendedor de vacinas Luiz Dominghetti
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR (9.fev.2021)

Senadores dizem que a citação do nome de Michelle Bolsonaro em conversas no celular do vendedor de vacinas Luiz Dominghetti não é razão suficiente para chamar a primeira-dama para depor na CPI da Pandemia. Segundo integrantes da cúpula da comissão, não há elementos para, nem mesmo, cogitar um requerimento de convite, em que a pessoa não é obrigada a comparecer.

"Não cogitamos ouvi-la", afirmou o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), à CNN. A opinião é compartilhada com outros senadores que estão no campo da oposição. "Não vai se deixar de lado (a informação), mas também não vai fazer um Carnaval", afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Áudios identificados pela CPI no celular de Dominghetti trazem uma conversa em que o policial, que também se apresenta como um player na venda de vacinas, diz: "Michele (sic) está no circuito agora. Junto ao reverendo. Misericórdia". O reverendo seria Amilton Gomes, também na mira da CPI.

Para senadores da comissão, não fica claro, no entanto, se Dominghetti teria contato direto com Michelle ou cita o nome dela para se exibir e convencer que teria contatos influentes.

Ainda na noite desta segunda-feira (12), o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), colocou panos quentes. E, se referindo a investigações que recaem sobre sua esposa e irmãos, afirmou que "eu sei o quanto é fácil para os desonestos de plantão citarem familiares em processos de lobby para mostrar 'intimidade' com o poder e aplicar seus golpes. Já fui vítima disso", escreveu.

Procurado pela CNN, o Palácio do Planalto informou que não irá se manifestar.