Defesa relata tentativa de acesso ao Dropbox de Emanuela durante oitiva na CPI

A conta é a mesma que a diretora da Precisa utilizou para enviar documentos ao Ministério da Saúde em 18 de março relacionados à importação da vacina Covaxin

Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
16 de julho de 2021 às 20:52 | Atualizado 16 de julho de 2021 às 22:04

 A defesa da diretora-executiva da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, comunicou a CPI da Pandemia que houve duas tentativas de acesso à conta do aplicativo Dropbox utilizada pela profissional enquanto ela prestava depoimento aos senadores, na tarde de quarta-feira (14). Os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que representam tanto Emanuela quanto o sócio-proprietário da empresa, Francisco Maximiano, disseram ter feito o mesmo informe à Polícia Federal.

"Conforme se verifica no documento anexo (doc.01), a empresa “Dropbox” encaminhou ao e-mail emanuela.medrades@precisamedicamentos.com.br, às 15:22 do dia 14.07.2021, mensagem informando o seguinte: termine de fazer o login no Dropbox com este código de segurança de uso único (...). Se você não tentou acessar sua conta, não se preocupe. Você pode ignorar este e-mail com segurança”, diz o documento.

A conta de Dropbox é a mesma que Emanuela utilizou para enviar documentos ao Ministério da Saúde em 18 de março relacionados à importação da vacina Covaxin, por meio de um link que tanto o servidor público Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF), quanto o consultor técnico William Santanna disseram ter acessado. Eles disseram ter visto por esse meio a primeira versão do invoice emitido pela Madison Biotech, empresa que seria vinculada ao laboratório indiano Bharat Biotech, produtor do imunizante.

A Precisa alega que só enviou a invoice em 22 de março, e Emanuela chegou a afirmar que Luis Ricardo Miranda e Santanna "mentiram" à CPI ao afirmarem que viram a fatura internacional antes de 20 de março, dia em que o deputado e seu irmão se encontraram no Palácio da Alvorada com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para, segundo eles, relatar irregularidades no contrato relacionado à Covaxin.

De acordo com os advogados, "a referida mensagem foi encaminhada enquanto a Sra. Emanuela Medrades, colaboradora da Peticionária, estava prestando depoimento perante a CPI e abordava o tema referente ao link Dropbox". 

"Desse modo, o e-mail enviado pela empresa Dropbox pode indicar tentativas de invasão à conta de Dropbox. Tal situação já foi, inclusive, comunicada à Policia Federal."

Emanuela Batista durante depoimento na CPI da Pandemia
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado