Votação de parecer do voto impresso na Câmara é adiada para agosto

O relator do projeto, deputado Filipe Barros, pediu ao presidente da comissão mais tempo para fazer ajustes no texto; votação está marcada para 5 de agosto

Bia Gurgel e Teo Cury Da CNN, em Brasília
16 de julho de 2021 às 19:17 | Atualizado 16 de julho de 2021 às 20:55
Vista do prédio do Congresso Nacional em Brasília 25/05/2017
Vista do prédio do Congresso Nacional em Brasília 25/05/2017
Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

A comissão criada pela Câmara dos Deputados para analisar a Proposta de Emenda à Constituição que torna o voto impresso obrigatório, adiou, na tarde sexta-feira (16), a votação do parecer do relator, deputado Filipe Barros (PSL-PR).

A oposição ainda articulou para reabrir uma nova sessão e tentar reverter a situação, sem sucesso. No início da noite, o presidente do colegiado, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), marcou a votação para o dia 5 de agosto. Em mensagem aos membros, ele disse: "Já convoquei a reunião para que votemos o parecer. É prazo final e sem mais. Assumo o compromisso". Com isso, a ala governista ganha tempo durante o recesso para reverter votos contra a matéria.

 

A reunião foi encerrada em meio a protestos de parlamentares de oposição, que esperavam que a proposta fosse rejeitada ainda nesta sexta. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) chegou a chamar o presidente da comissão de "picareta" logo após ele ter dado ao relator um prazo para aperfeiçoar a proposta até a próxima sessão ordinária do colegiado. 

O relator disse que está preparando um substitutivo ao parecer para que a matéria tenha acordo para aprovação. "Tenho tentado conciliar todas as propostas de alterações e as mais diferentes sugestões que foram feitas desde que li meu relatório", disse Filipe Barros. "Não estamos mais na fase de convencimento", argumentou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), enquanto o relator da proposta tentava convencer o colegiado sobre as alterações que devem ser feitas no texto.

Na sessão, a autora da PEC, deputada Bia Kicis (PSL-DF), voltou a criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acusou o Judiciário de interferir no tema. "A justiça eleitoral sempre resistiu a colocar a urna eletrônica de uma forma mais desenvolvida. Não permite que o eleitor cheque seu voto e não permite a contagem pública. Queremos buscar mais segurança e mais desenvolvimento", disse a deputada.

A PEC é uma das principais bandeiras políticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).  Para que a nova regra entre em vigor nas eleições de 2022, a matéria precisa ser votada na comissão, em dois turnos no plenário da Câmara, e depois do Senado, antes do início de outubro.