Médico: Suboclusão intestinal de Bolsonaro foi determinada por cirurgias prévias

À CNN, cirurgião Rodrigo Oliva Perez diz que embora facada não seja a causa do problema, ela desencadeou procedimentos no abdômen que levam ao quadro atual

Produzido por Fernanda Pinotti e Vinícius Tadeu, da CNN em São Paulo*
17 de julho de 2021 às 12:45 | Atualizado 17 de julho de 2021 às 15:26

Em entrevista à CNN, o cirurgião do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Rodrigo Oliva Perez, explicou que atos cirúrgicos realizados no presidente Jair Bolsonaro foram determinantes para o quadro atual de suboclusão intestinal.

“É como se fosse uma mangueira longa dentro da barriga da gente, uma barreira comprida, o intestino fino tem quase 7 metros e ele fica solto dentro da barriga. No momento em que a gente faz uma cirurgia ou faz múltiplas cirurgias, como é o caso do presidente, corre o risco de ocorrer aderências. O intestino fica solto, mas acaba cicatrizando em posições não habituais. E com isso algumas curvas que o intestino faz dentro da barriga podem ficar mais agudas, tornando difícil a passagem do conteúdo intestinal", afirma.

Embora o médico descarte a facada como causa e efeito da parcial obstrução do intestino de Bolsonaro, ele ressalta que as cirurgias que foram feitas por conta do ataque em 2018, provavelmente, desencadearam este resultado hoje.

“Se o presidente não tivesse tomado a facada, e não tivesse feito nenhum procedimento abdominal, dificilmente ele teria um quadro de suboclusão intestinal. As pessoas não têm quadro de suboclusão intestinal do intestino fino por aderência quando eles não fizeram nenhum procedimento abdominal. É muito raro disso acontecer. Então, de alguma maneira, a facada está associada porque ela desencadeou uma série de procedimentos.”

O médico ressalta que o tratamento "conservador" adotado pela equipe médica é o mais adequado neste momento para se evitar um procedimento mais agressivo. Ele diz que em alguns casos, somente este tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia é o suficiente, mas não é possível prever se Jair Bolsonaro terá ou não que enfrentar outras crises futuras.

"Já ouvi muita gente comentar que talvez essa cirurgia seja inevitável no futuro do presidente, mas não é verdade. Tem muitos pacientes que, de fato, com o tratamento conservador, ficam totalmente reestabelecidos e nunca mais têm quadros. Não é verdade que ele necessariamente vai precisar de um tratamento cirúrgico por conta deste quadro suboclusivo. Mas ele pode voltar a ter quadros suboclusivos no futuro e a verdade é que a gente não sabe como isso vai se comportar daqui para frente.”

A partir do momento que o presidente tiver alta do hospital, na visão de Rodrigo, ele poderá retomar seus compromissos, no entanto, com uma dieta cuidadosa. Atualmente, após passar por um período de jejum e ingestão de líquidos, Bolsonaro está se alimentando de comidas pastosas.

"A recomendação, provavelmente, será que ele volte às atividades habituais, mas com particular cuidado com alimentação. Provavelmente os médicos vão recomendar que ele não volte para grandes refeições, com alta quantidade de alimento sólido.”

O especialista também explicou porque o soluço persistente é um dos indícios principais de que um paciente está com suboclusão intestinal.

"O soluço do presidente é um sinal clínico de que está havendo alguma dificuldade de passagem do alimento pelo intestino da gente. A gente com frequência vê esses soluços que não melhoram quando o paciente está com estômago cheio e não consegue esvaziar. E por que o estômago fica cheio? Porque na frente, onde tem o intestino delgado, não está dando vazão suficiente, então o estômago começa a represar e isso acaba irritando o diafragma."

* (supervisionados por Elis Franco)