Senadores da CPI da Pandemia se dividem em grupos para avançar nas investigações

A cúpula da CPI e o grupo dos senadores independentes e de oposição decidiram separar os trabalhos da comissão em sete grupos para acelerar análises

Tainá Farfan, da CNN, em Brasília
20 de julho de 2021 às 15:40 | Atualizado 20 de julho de 2021 às 18:13

 

A cúpula da CPI e o grupo dos senadores independentes e de oposição decidiram separar os trabalhos da comissão em sete grupos para acelerar a análise de documentos, informações e auxiliar no relatório final.

Um dos núcleos da força-tarefa está focado em analisar os indícios de corrupção e irregularidades em hospitais federais e organizações sociais, como as que foram denunciadas no depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Esse grupo é liderado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), com apoio das senadoras Eliziane Gama (CIDADANIA-MA) e Simone Tebet (MDB-MS).

 

Outro grupo, com Simone Tebet e Tasso Jereissati (PSDB-CE), está focado em avançar na análise dos indícios de corrupção em contratos de compras de vacinas pelo Ministério da Saúde. Entre eles, a Precisa Medicamentos, representante da Bharat Biotech, que fechou contrato de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin por R$1,6 bilhão, com indícios de superfaturamento.

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), ficou responsável pelo núcleo que investiga a atuação de intermediários na compra de vacinas contra a Covid-19 pelo governo.

Já a investigação sobre a VTCLog, empresa e logística contratada pelo Ministério da Saúde, responsável pelo armazenamento e distribuição de vacinas e medicamentos, suspeita de participar de esquema de pagamento de propinas na pasta com apadrinhamento político, está a cargo de Eliziane Gama e Alessandro Vieira (CIDADANIA-SE).

Outro núcleo de investigação, também a cargo do senador Alessandro, com apoio de Renan Calheiros (MDB-AL), Humberto Costa e Rogério Carvalho (PT-SE), é sobre a propagação de fake news durante a pandemia pelo Palácio do Planalto e aliados ao presidente Jair Bolsonaro.

As suspeitas de incentivo e financiamento, por parte do governo, ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como cloroquina e hidroxicloroquina, além da participação de laboratórios farmacêuticos, ficou sob responsabilidade do senador Humberto Costa, Alessandro Vieira e Eliziane Gama.

Por fim, a investigação sobre o negacionismo do governo federal em relação ao enfrentamento à pandemia da Covid-19 será aprofundada por Rogério Carvalho e Otto Alencar (PSD-BA).

Há possibilidade de encontro na próxima semana de membros da Comissão Parlamentar de Inquérito com bancada de juristas, em São Paulo ou Brasília, para subsidiar o relatório final e orientar os parlamentares sobre tipos de crimes, indícios de corrupção nos processos, questionamentos às testemunhas e análise de documentos.

Os núcleos realizam reuniões isoladas durante o recesso formal do Congresso Nacional. Os depoimentos da CPI da Pandemia serão retomados no dia 3 de agosto.

Vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fala com o presidente, Omar Aziz (PSD-AM); à direita, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL)
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado