Com Aras na PGR, presidente do STJ é visto como alternativa a Mendonça no STF

Diante da resistência ao indicado pelo presidente, senadores citam Humberto Martins como uma opção ao atual advogado-geral da União

Gustavo Uribe
Por Gustavo Uribe, CNN  
21 de julho de 2021 às 12:50 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 17:03

 A recondução de Augusto Aras para o comando da Procuradoria-Geral da República não diminuiu as resistências à indicação do atual advogado-geral da União, André Mendonça, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Se antes Aras era citado por senadores governistas e oposicionistas como uma alternativa a Mendonça, agora eles têm defendido ao Palácio do Planalto o nome do atual presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins.

 

Martins, que é alagoano e adventista, chegou a ser considerado, no início do ano, pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a indicação. Ele conta com a simpatia do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aliado do Palácio do Planalto.

A também proximidade de Martins com o relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, levou Bolsonaro a descartar o nome. Calheiros é visto hoje como um adversário do Palácio do Planalto e um provável aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2022.

Com resistências à confirmação de sua indicação, Mendonça pode ser sabatinado pelo Senado Federal apenas em setembro.

A data da sabatina deve ser definida apenas no retorno do recesso parlamentar, no início de agosto, em conversa entre o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O presidente do STJ, Humberto Martins
Foto: José Cruz/Agência Brasil (08.ago.2019)



Segundo senadores governistas e oposicionistas, no entanto, a tendência é de que ela seja marcada apenas para o início de setembro, o que daria mais tempo para que o indicado consiga reduzir resistências à sua indicação.

Além da resistência entre senadores, presente até mesmo na base aliada, Mendonça foi prejudicado, na avaliação de parlamentares governistas, pelo recesso parlamentar, o que inviabilizou encontros programados para julho, entre eles com a bancada federal do PT.
Com a ausência de senadores na capital federal até o início de agosto, o indicado ao STF teve de adiar reuniões, o que, segundo aliados do ministro, é mais um fator que justifica a marcação da sabatina na CCJ apenas para o mês de setembro.

Nas conversas que iniciou desde a semana retrasada, Mendonça tem minimizado o fato de ser pastor presbiteriano e ressaltado que o fato de ser evangélico não pautará a sua atuação no STF.
Até mesmo Alcolumbre é apontado como um dos senadores com reservas à indicação. Até que o nome seja avaliado pelo Senado Federal, a quem cabe aprovar ou não os indicados para a Corte, Mendonça seguirá no seu atual cargo, como advogado-geral da União.