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    8/1: Cappelli lembra “enfrentamento” com Naime e diz que coronel atrasou chegada de ônibus com presos

    Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), foi preso em uma das fases da Operação Lesa Pátria em fevereiro

    Lucas Schroederda CNN*

    São Paulo

    O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, lembrou nesta terça-feira (9) um enfrentamento que teve com o coronel Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), um dia após os atos criminosos de 8 de janeiro. Segundo Cappelli, Naime teria ordenado que os ônibus com manifestantes presos depois dos ataques parassem no meio do caminho em direção à sede da Polícia Federal (PF).

    “Na manhã do dia 9 de janeiro de 2023, os ônibus com os golpistas saíram do QG do Exército e, misteriosamente, não chegavam na sede da PF. O coronel Jorge Naime havia mandado os ônibus pararem no meio do caminho. Meu enfrentamento com ele foi um dos momentos emblemáticos”, lembrou Cappelli, que à época havia sido nomeado interventor na segurança pública do DF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “Ainda há muitos detalhes não revelados sobre a noite do dia 8 de janeiro de 2023 e aqueles difíceis dias da primeira semana. Houve de tudo. Cada dia daria um documentário. Um trabalho coletivo guiado pela firmeza histórica e o compromisso inabalável com o Brasil”, continuou Cappelli.

    “9 de janeiro de 2024. Há exatamente 1 ano atrás estávamos desmontando o acampamento golpista e comandando a maior operação de polícia judiciária da história para prender mais de 1.300 golpistas. Foram 72 horas de trabalho ininterrupto sob forte tensão. Bom dia!”, concluiu o secretário-executivo.

    Na mesma publicação, a esposa do coronel, Maria Adôrno Naime, respondeu Cappelli afirmando que, caso o marido tenha de fato tomado a decisão de ordenar a parada dos ônibus, foi com o intuito de proteger a ordem social.

    “O senhor sabia que, se é que ele fez isso, fez para proteger a própria ordem social? Ele, além de especialista em segurança pública, é um policial militar com mais de 30 anos de serviço prestado à sociedade do DF, com amplo reconhecimento por seu trabalho sério e eficiente de décadas. Seu olhar técnico e experiente foi comprovado na medida que avançam as investigações. É preciso relembrar que ônibus, ao chegarem à superintendência, [que] não tinha estrutura física para receber as milhares de pessoas que vinham do QG. Por isso, foram levados à Academia da Polícia Federal, onde acomodaria, com mínima dignidade humana, milhares de pessoas, idosos e crianças. O Naime não tomou essa decisão sozinho, ele tratou com seus superiores hierárquicos e também estava acompanhado de vários delegados da Polícia Federal, com os quais adequou toda a logística para a chegada ao local definido. O fato é que todas as pessoas chegaram em segurança, não houve fuga de ninguém e muito menos comprometeu a determinação do ministro Alexandre de Moraes”, respondeu a esposa de Naime.

    Horas após a depredação dos prédios dos Três Poderes, os vândalos se dirigiram ao Setor Militar Urbano (SMU), onde está localizado o QG do Exército em Brasília e onde muitos estavam acampados. Em seguida, tropas do Exército formaram um cordão de isolamento, impedindo a entrada da PM-DF no local para efetuar as prisões. Governo federal e Exército concordaram, depois de longas negociações, que as prisões seriam feitas na manhã seguinte e que os detidos seriam levados à sede da PF.

    Preso desde fevereiro, Naime foi um dos denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito dos atos criminosos. Ele é acusado de omissão, combinado com os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

    Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, Naime afirmou que o Exército impediu a desmontagem do acampamento no QG do Exército e que a Secretaria de Segurança Pública do DF não repassou alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no dia dos atos sobre o crescimento das manifestações com real possibilidade de invasão.

    A CNN entrou em contato com a defesa do coronel Jorge Naime para comentar declaração de Ricardo Cappelli e aguarda retorno.

    *Com informações da Agência Senado