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    Investigação suspeita que coronel Naime transportou R$ 1 milhão de SP para Brasília e PGR vê indício de corrupção

    Suspeito de omissão nos atos de 8 de janeiro, policial teria desviado recursos de associação de oficiais, aponta apuração

    Ex-chefe do departamento de operações da PM do Distrito Federal, coronel Jorge Eduardo Naime
    Ex-chefe do departamento de operações da PM do Distrito Federal, coronel Jorge Eduardo Naime TV Senado

    Lucas Mendesda CNN

    em Brasília

    Ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, o coronel Jorge Eduardo Naime é suspeito de ter usado a estrutura da corporação para escoltar valores em dinheiro, sem declaração e de forma extraoficial, aponta investigação da PGR.

    Em uma dessas ocasiões, em junho de 2021, ele teria promovido o transporte de R$ 1 milhão em espécie partindo de São Paulo com destino a Brasília, em benefício de uma pessoa chamada Sérgio Barbosa de Assis.

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    A Procuradoria-Geral da República (PGR) viu indícios de corrupção contra o coronel, além da suposta prática de desvios de recursos da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, entidade presidida por Naime.

    Segundo a PGR, a transação faria parte de “relações econômicas aparentemente ilícitas” entre Naime e Assis, que envolveria possivelmente lavagem de dinheiro.

    “A movimentação de vultuosos valores em espécie, sem declaração correspondente e de forma não oficial, tem por propósito burlar os mecanismos de monitoramento antilavagem existentes de forma permanente no sistema financeiro, dificultando a identificação da origem, da localização, da propriedade e da própria movimentação dos valores”, disse no documento o subprocurador Carlos Frederico Santos, responsável pelas investigações dos atos de 8 de janeiro.

    “Tais condutas só se justificam logicamente nos casos em que os recursos possuem origem ilícita, considerando o elevado risco e os maiores custos da operação”.

    Por não ter relação direta com os ataques às sedes dos Três Poderes, Santos pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o envio desses indícios ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios “para as providências que entender cabíveis”.

    Suspeitas de corrupção

    As suspeitas de corrupção contra Naime constam de denúncia apresentada pela PGR ao Supremo contra a cúpula da PM-DF, por suposta omissão nos atos de 8 de janeiro.

    Preso desde fevereiro, Naime foi um dos denunciados pela PGR. Ele é acusado de omissão, combinado com os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

    Enquanto presidente da Associação da PM, Naime contratou a empresa “Pico Serviços de Comunicação”, de propriedade de Sérgio Assis, para trabalhos de assessoria e marketing.

    O contrato, assinado em fevereiro de 2022, previa pagamento mensal de R$ 8.900,00

    Segundo a PGR, no entanto, uma semana depois de assinado o contrato, Sérgio passou a fazer pagamentos mensais a Naime no valor de R$ 8 mil. O órgão apontou que a operação indica suspeita de que o coronel usava da sua posição na associação para desviar recursos obtidos pela entidade por meio da contribuição dos oficiais da PM.

    “Nesses moldes, além de se constatar evidente lesão contínua – por pagamentos sucessivos decorrentes de contrato simulado – aos associados da Associação dos Oficiais da PMDF, há indícios de corrupção por parte de Jorge Eduardo Barreto Naime”, disse a PGR.

    A CNN entrou em contato com a defesa de Naime, que disse que não iria se manifestar sobre o caso. Sobre a suposta omissão nos atos de 8 de janeiro, a defesa disse que Naime é inocente e que vai “comprovar isso”.

    A reportagem não conseguiu contato com Sérgio Assis.