À CNN, Celina diz que processo mostrará se Ibaneis causou crise do BRB

Governadora do Distrito Federal voltou a rebater críticas do antecessor; segundo ela, sucessão não é submissão

Leonardo Ribbeiro e Helena Prestes, da CNN Brasil, Brasília
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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse à CNN Brasil nesta sexta-feira (29) que não fará antecipação de juízo sobre a reponsabilidade do antecessor Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o cargo para concorrer ao Senado, na crise envolvendo o BRB (Banco de Brasília).

“Os erros, se aconteceram, se ele [Ibaneis] foi o responsável, eu acho que o processo criminal que vai demonstrar. Seria muito legal da minha parte não fazer algum tipo de antecipação de juízo sobre a responsabilidade. Eu acho que quem vai demonstrar isso é só o processo judicial”, afirmou.

Celina alega que herdou um rombo nas contas públicas, além da crise do BRB – que comprou “títulos podres” do Banco Master e negociava a compra da instituição financeira que era de Daniel Vorcaro, preso em março pela segunda vez por fraude financeira.

Recentemente, o ex-governador Ibaneis sinalizou rompimento com o grupo político de Celina, alegando “decepção” com os atos da atual gestora e a necessidade de realinhamento das forças que governaram o Distrito Federal. O MDB, partido de Ibaneis, pode lançar candidato próprio ao governo para disputar com Celina Leão.

Na época, a governadora rebateu as críticas dizendo que “sucessão nunca seria submissão”. O que foi repetido nesta sexta-feira em entrevista à CNN Brasil. “Eu tenho uma forma própria de governar, um jeito muito diferente de governar, muito próximo das pessoas, eu acho que isso é personalidade, cada um tem uma personalidade, né?”

Acordo para salvar o BRB

A União e o Governo do Distrito Federal fecharam um acordo na quinta-feira (28) para viabilizar uma operação de crédito para o BRB, em meio à crise de liquidez após a tentativa de compra do liquidado Banco Master.

As tratativas começaram na terça-feira (26), durante audiência de conciliação conduzida pelo ministro Luiz Fux. A proposta prevê um empréstimo ao governo do DF com recursos do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com garantia de um sindicato de bancos públicos e privados.

O acordo cria as condições para que o governo do Distrito Federal faça uma operação para capitalização do BRB de até 16% da receita corrente líquida do Distrito Federal, o que dá em torno de R$ 6,5 bilhões. O banco regional precisa de uma capitalização de R$ 6,6 bilhões para melhorar seus índices de saúde financeira.

O GDF informou que empréstimo será de 15 anos, com dois anos de carência. A contragarantia será concedida por bancos S1, que são as instituições financeiras de grande porte cujo tamanho é igual ou superior a 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Não haverá transferência de recursos federais nem garantia da União.

Além disso, o governo regional se comprometeu a adotar medidas de ajuste fiscal com vistas à condução do ente a uma trajetória de equilíbrio fiscal. Atualmente, a situação fiscal do Distrito Federal lhe confere a nota C na CAPAG (Capacidade de Pagamento), indicador do Tesouro Nacional.

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