À CNN, Gilmar critica Vieira e diz que "imunidade parlamentar tem limites"
Ministro do STF disse que pedido do relator da CPI do Crime para indiciar integrantes da Suprema Corte e da PGR é "esquizofrênico"
Em entrevista à CNN, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo tribunal Federal) criticou nesta sexta-feira (24) o senador Alessandro Vieira pelo relatório final apresentado na CPI do Crime Organizado. Segundo o ministro, pedir o indiciamento de ministros do Supremo e da PGR em uma comissão parlamentar como aquela é "esquizofrênico".
"Uma coisa esquizoide, esquizofrênica. Qual a hipótese que se coloca? Não há crime organizado no Brasil? A CPI resolveu o problema do crime organizado? O relatório não dedica uma linha ao problema do crime organizado e coloca os ministros do Supremo nesse foco. Ou nós nos tornamos muito charmosos para os políticos, atrativos para os efeitos eleitorais, e a outra hipótese é: será que ele está sendo financiado pelo crime organizado?", disse Gilmar.
O relatório final da CPI do Crime Organizado foi apresentado no início deste mês. No documento, o senador pediu o indiciamento por crimes de responsabilidade de Gilmar e dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por suas atuações no Caso Master.
No mesmo dia, Gilmar criticou a condução dos trabalhos da comissão e citou o que classificou como “vazamentos seletivos” de documentos, além da construção de “narrativas apressadas” sobre fatos que ainda estão sob apuração.
O relatório acabou sendo derrubado na CPI com 6 votos contrários após uma manobra do governo para formar uma maioria na comissão. Com o encerramento do colegiado, Gilmar pediu à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma investigação contra Vieira, com a alegação de suposto abuso de poder na relatoria da CPI.
Após o pedido, o senador recorreu ao órgão para o arquivamento do processo. No documento, Vieira diz que a jurisprudência firmada pelo próprio STF impede que um parlamentar seja criminalmente responsabilizado pelo conteúdo de relatório apresentado em CPI.
Sobre as declarações de Gilmar à CNN, Vieira afirmou que o ministro "segue prestando um grande desserviço" à Justiça brasileira.
"As suas manifestações patéticas só demonstram desequilíbrio e receio de investigações. A tentativa de criminalizar um voto proferido por um parlamentar na tribuna é um absurdo completo, como aliás já reconheceu diversas vezes o próprio ministro em julgados do STF. Vou persistir nessa luta necessária por um Brasil sem intocáveis", afirmou o senador em nota enviada à CNN.


