À CNN, Lula diz que Eduardo Bolsonaro é "traidor da pátria"
Segundo o presidente, muitas pessoas condenadas no Brasil se escondem nos Estados Unidos para tramarem contra o país natal
Em entrevista à CNN antes de seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), previsto para terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) de "traidor da pátria".
"Ele é um dos traidores da pátria. Ele está aqui insuflando os Estados Unidos contra o Brasil. É isso que está acontecendo de concreto. Inclusive com o dinheiro que está vindo para cá, sabe, que logo, logo vai ser desendado esse mistério do dinheiro do filme do pai do ex-presidente Bolsonaro.", disse à âncora Christiane Amanpour nesta segunda-feira (21).
O presidente, candidato à reeleição, também explicou que várias pessoas condenadas no Brasil se escondem nos Estados Unidos e tramam contra o país natal e que o bolsonarismo tem um relacionamento mais próximo com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Lula esclareceu que pediu ao presidente americano para que não interfira nas eleições e disse que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou um alerta sobre o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições gerais deste ano.
" Mas o dado concreto é o seguinte, eu já disse ao presidente Trump, é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil. É muito importante, porque nós temos uma relação diplomática de 203 anos, é uma relação muito sólida e o Brasil não é um país anti-americanista.", disse. "Ele já disse para muitas pessoas que ele não interferá nas eleições brasileiras", completou.
No relatório enviado no fim de agosto pela Abin ao Palácio do Planalto, Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a possibilidade de influência americana nas eleições atingiu um "nível de criticidade".
O texto cita documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que os objetivos do presidente americano são a "redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense".
As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.
Segundo a agência, há uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA".
A CNN tenta contato com Eduardo Bolsonaro.


