Análise: Flávio Bolsonaro age para se descolar do caso Dark Horse
Analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avaliou, ao Live CNN, que decisão do ministro Flávio Dino criou novo fato e reacendeu escândalo envolvendo filme
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recuou da promessa de apresentar pessoalmente informações sobre o filme "Dark Horse" e declarou publicamente que não é sua responsabilidade prestar contas sobre o episódio. A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia, ao Live CNN, que a estratégia de Flávio é se descolar completamente da polêmica envolvendo o financiamento da produção.
Em declaração feita durante agenda em São Paulo, na segunda-feira (24), Flávio afirmou que "a prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou". Ele ainda redirecionou as cobranças para outros atores políticos, dizendo que "não é ele quem tem que prestar conta".
Estratégia de distanciamento
Segundo Clarissa Oliveira, interlocutores e pessoas próximas de Flávio confirmaram que a orientação da campanha é se descolar do episódio envolvendo o financiamento do filme sobre a biografia de seu pai.
"Ele vem a público e diz que vocês estão querendo reacender um caso que já está explicado, mas que não vão colocá-lo no mesmo balaio do caso que afeta o outro lado", explicou a analista. A postura, segundo ela, busca caracterizar as cobranças como um "jogo eleitoral" do qual Flávio se recusa a participar.
Clarissa destacou ainda uma diferença relevante entre os dois casos em disputa no cenário eleitoral. Enquanto as denúncias envolvendo o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, mantêm o noticiário constantemente aquecido, com novidades surgindo quase diariamente, o caso Dark Horse havia esfriado nas últimas semanas pela ausência de fatos novos.
"A exposição constante de um assunto junto ao eleitor acaba provocando impacto relevante na campanha", pontuou a analista.
Novo fato reacende o escândalo
A situação ganhou novo contorno após a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino de dar acesso à Polícia Federal a informações de uma operação relacionada à produtora envolvida no caso "Dark Horse". Segundo Clarissa, essa movimentação criou um novo fato e reacendeu o escândalo.
A campanha adversária já teria enxergado essa novidade como munição para tentar prejudicar Flávio Bolsonaro (PL), que anteriormente havia sofrido queda nas pesquisas de intenção de voto em razão do mesmo caso, chegando a perder o cenário de empate técnico no segundo turno.
Para que o impacto do "Dark Horse" se equipare ao que as denúncias envolvendo Lulinha causam à campanha adversária, seria necessário, na avaliação de Clarissa, "uma série de fatos novos que mantenham esse caso aceso".
A analista concluiu que a corrupção entrou no centro da discussão eleitoral deste ano, com os dois lados apontando para o adversário ao serem questionados sobre seus próprios escândalos. "A questão é: as duas campanhas vão conseguir manter esses dois casos acesos até lá?", questionou.


