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    Abin teria interferido em investigações para beneficiar filhos de Bolsonaro

    Investigação aponta atuação ilegal da agência a favor de Jair Renan e Flávio Bolsonaro; ambos negam irregularidades

    Thais ArbexLucas MendesElijonas Maiada CNN

    Brasília

    A investigação que mira uma suposta instrumentalização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) aponta que o órgão teria servido a pelo menos dois filhos do ex-presidente interferindo em investigações e fornecendo dados para municiar advogados em processos.

    Conforme a Polícia Federal (PF), houve atuação ilegal de uma “estrutura paralela” na agência para favorecer Jair Renan Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    No caso de Jair Renan, filho mais novo de Bolsonaro, a atuação teria se dado por meio de “serviços de contrainteligência” com objetivo de interferir em uma investigação que ele era alvo e “fazer prova” a seu favor.

    Já em relação a Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, a Abin teria preparado relatórios para abastecer a defesa do congressista no caso das “rachadinhas”.

    A CNN também apurou que dados coletados serviriam para saber onde desafetos de Jair Renan e de Flávio estariam. E além: com base na localização, seriam vigiados em ‘campanas’ por servidores da Abin.

    Ambos negam irregularidades ou que tenham sido beneficiados.

    As ações teriam se dado durante o comando de Alexandre Ramagem na Abin. Ele deixou o posto de diretor-geral da agência em 2022. Atualmente, é deputado federal.

    Ramagem foi um dos alvos da operação da PF desta quinta-feira (25) para investigar uma suposta organização criminosa que teria se instalado na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas.

    A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    A PF cumpriu mandados de busca no gabinete de Ramagem e no apartamento funcional da Câmara atualmente ocupado por ele.

    Jair Renan Bolsonaro

    A investigação apontou que a estrutura paralela da Abin teria feito diligência para produzir provas a favor de Jair Renan em um inquérito da Polícia Federal em que ele era alvo.

    Essa apuração mirou suposto tráfico de influência do filho de Bolsonaro, que teria atuado para intermediar contato de empresários do setor de exploração mineral com o governo do seu pai. A PF concluiu o inquérito e não viu indícios de crimes.

    A atuação ilícita teria sido feita por um dos integrantes da Abin, um policial federal cedido para a agência que também foi alvo da operação desta quinta-feira (25).

    Segundo a investigação, esse agente era homem de confiança de Ramagem e operava sob suas ordens. Ele teria monitorado, por exemplo, o ex-sócio de Jair Renan, Allan Lucena. O intuito seria levantar provas para livrar o filho de Bolsonaro das suspeitas de tráfico de influência.

    “O policial federal foi flagrado filmando o investigado, ao ponto deste registrar ocorrência policial por ameaça”, disse a PF.

    Segundo os investigadores, o episódio “corrobora a premissa da plena ciência dos membros da alta gestão da ABIN – Del. ALEXANDRE RAMAGEM e Del. CARLOS AFONSO – das ‘operações de inteligência’ realizadas com viés instrumental da ABIN”.

    Em nota, a defesa de Jair Renan disse não ter nada a declarar, que os advogados não tiveram acesso aos inquéritos e que “tudo mais é especulação”.

    Flávio Bolsonaro

    De acordo com a PF, o uso ilegal da estrutura da Abin também teria beneficiado a defesa de Flávio Bolsonaro no caso da “rachadinha”, com a elaboração de relatórios.

    “A utilização da ABIN para fins ilícitos é, novamente, apontada pela Polícia Federal e confirmada na investigação quando demonstra a preparação de relatórios para defesa do Senador FLÁVIO BOLSONARO, sob responsabilidade de MARCELO BORMEVET, que ocupava o posto de chefe do Centro de Inteligência Nacional – CIN”, disse o ministro Alexandre de Moraes, em sua decisão que autorizou a operação sobre o caso.

    Flávio Bolsonaro foi denunciado por supostamente ter desviado recursos públicos por meio do repasse de parte do salário de servidores em seu gabinete quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

    O caso teve provas anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Outro lado

    Em entrevista à CNN, Flávio Bolsonaro disse que nunca recebeu relatório da Abin. “Jamais recebi isso, eu nunca vi esse suposto relatório, isso não foi usado por mim em momento algum durante toda a minha defesa”, afirmou.

    Flávio Bolsonaro diz que “Ramagem é uma pessoa correta, honesta, super competente.”

    “Não quero acreditar que está havendo alguma mistura eleitoral com relação a essa situação”, prosseguiu o senador ao se referir a Ramagem, que é pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.