Advogado da JBS controla resort que tinha família de Toffoli como acionista

Paulo Humberto Costa atua para a JBS desde 2008 e disse que concluiu a transferência da titularidade do empreendimento em setembro de 2025

Matheus Teixeira e Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Tayayá Resort, no Paraná  • Reprodução
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O Tayayá Resort, empreendimento imobiliário no Paraná que tinha como acionistas irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), passou a ser controlado no final do ano passado por um advogado goiano que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O advogado Paulo Humberto Costa, que presta serviços à empresa desde 2008, comprou dos irmãos e do primo do ministro a participação no empreendimento imobiliário situado em Ribeirão Claro (PR). As transações para transferência de titularidade começaram em dezembro de 2024 e foram concluídas em setembro de 2025.

O advogado também é sócio de uma empresa privada, a Petras Participações, que presta serviço de aluguel de aeronaves. Constam no quadro societário da empresa Renato Costa, executivo da Friboi, e Gabriel Paes Fortes, genro do irmão mais velho dos Batista.

“A Petras é uma empresa privada que não tem relação com outras empresas. Renato e Gabriel são meus amigos pessoais. Atuo como advogado deles também há alguns anos”, afirmou Barbosa.

Um fundo de investimento gerido por empresa citada no caso Master realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para comprar ações do resort. O investimento foi realizado pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de outubro de 2025.

A Arleen é administrada pela Reag, citada na operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, e que teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, que também já teve no quadro societário Mario Umberto Degani, primo de Toffoli.

Toffoli é relator do inquérito sigiloso que investiga o Banco Master no STF. O ministro tem imposto restrição de acesso às provas obtidas na investigação e isolado a Polícia Federal da análise dos materiais apreendidos.

Relatório do Banco Central enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União) mostra que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

Barbosa confirmou à CNN Brasil atuar para a JBS desde 2008, quando fazia consultoria tributária. O escritório de advocacia do qual é sócio possui mais de 100 clientes e ainda atua para a empresa em “alguns poucos” processos.

"Em outubro de 2025, a JBS comunicou o escritório que, devido ao crescimento de minha dedicação às atividades empresariais, não utilizaria mais os meus serviços em novos processos”, explicou Barbosa.

“Com relação ao Tayaya Resort, meu investimento está ligado ao plano de transformá-lo em um dos maiores complexos turísticos e de lazer da região. Conheço o ministro Dias Toffoli, mas nunca fiz negócios com ele”, disse o advogado.

A CNN Brasil procurou a JBS, que enviou o seguinte posicionamento: "O escritório do advogado mencionado defendeu a empresa em ações no estado de Goiás. Nem a companhia, nem os acionistas, possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com qualquer outro negócio do advogado."