Advogado diz também ter sido procurado para intermediar venda de vacinas

A Davati Medicamentos seria intermediária da venda de vacinas da Astrazeneca para o governo brasileiro

Profissional prepara aplicação de vacina da Astrazeneca contra Covid-19 em Belo Horizonte (MG)
Profissional prepara aplicação de vacina da Astrazeneca contra Covid-19 em Belo Horizonte (MG) Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Estadão Conteúdo (1º.jun.2021)

Marcos Guedes e Vital Neto, da CNN, em São Paulo

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 O advogado Júlio Adriano de Oliveira Caron e Silva diz também ter sido nomeado como representante da Davati Medicamentos para intermediar a venda de vacinas da Astrazeneca para o governo brasileiro. Segundo ele, o negócio não seguiu em frente porque a empresa Davati Medicamentos não atendeu ao pedido feito pelo governo brasileiro, que solicitou uma carta de autorização da farmacêutica Astrazeneca. 

De acordo com uma troca de e-mails entre o advogado e o Ministério da Saúde, à qual a CNN teve acesso, no dia 9 de março deste ano, Silva apresentou uma proposta para a venda de 300 milhões de doses da vacina da AstraZeneca ao governo federal. No texto, ele se apresentou como representante da Davati Medical Supply LLC e, como prova, enviou um termo assinado por ele e por outras pessoas que também seriam representantes da fornecedora de insumos médicos na Colômbia, Itália e Canadá.

 

Em resposta ao e-mail, no dia 10 de março, o chefe de gabinete do Ministério da Saúde, Paulo César Ferreira Júnior, solicitou ao advogado, uma carta de autorização da AstraZeneca, que confirmasse a Davati Medicamentos como intermediária na negociação das vacinas com o governo brasileiro. Dessa forma, seria possível “dar continuidade ao processo de aquisição do imunizante.” 

Ainda de acordo com o advogado, ele tentou contato com a empresa Davati, através de sócios estabelecidos no Canadá, para obter a documentação requisitada. Como não houve qualquer resposta da empresa, “as negociações foram encerradas”. Silva também afirmou que “receberia alguns centavos pela intermediação do negócio”. 

A negociação da vacina da farmacêutica Astrazeneca voltou aos holofotes e passou a ser investigada pela CPI da Pandemia após reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” que apontou denúncia de outro representante da Davati Medicamentos, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que disse ter sido chantageado pelo então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. 

A Astrazeneca informou que não disponibiliza a vacina por meio do mercado privado ou trabalha com qualquer intermediário no Brasil. Todos os convênios são realizados diretamente via Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e governo federal.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde, mas até o momento da publicação, não houve resposta aos questionamentos.

A Davati informou, em nota enviada à CNN, que não é distribuidora autorizada da AstraZeneca e que jamais declarou ser, mas que alguns de seus clientes pelo mundo pediram ajuda para encontrarem vacinas para a Covid-19. A Davati foi procurada por seu representante no Brasil para encontrar vacinas para o país e, em 1° de março, apresentou proposta ao Ministério da Saúde, que não foi respondida. De acordo com a nota, o representante da empresa no país é Cristiano Alberto Carvalho. (Veja a íntegra da nota abaixo)

Até o fechamento da reportagem, a empresa não respondeu sobre a possível participação de Júlio Caran na negociação.

(Com informações de Ludmila Candal)

RESPOSTA OFICIAL A RESPEITO DA OFERTA DE VACINA COVID-19 FEITA AO GOVERNO DO BRASIL

“A quem possa interessar,

A Davati Medical Supply é uma distribuidora internacional de medicamentos e vacinas não COVID, como Influenza, H1N1 e imunização. Não somos um distribuidor autorizado da AstraZeneca * nem jamais declaramos que o somos. Embora atualmente não distribuamos nenhuma das vacinas COVID-19 como uma linha de produtos, alguns de nossos clientes em todo o mundo nos pediram para ajudar a localizar as vacinas COVID-19.

No início deste ano, nosso representante no Brasil nos pediu para ajudar a localizar vacinas COVID-19 no país. Soubemos de uma possível série de vacinas sendo oferecidas por um vendedor privado no exterior. Em 1 de março, a Davati Medical apresentou uma proposta ao governo federal do Brasil para a compra dessas vacinas, mas o governo nunca respondeu à nossa proposta, portanto, uma apresentação entre o governo e o vendedor privado nunca foi feita pela Davati Medical, e a a discussão nunca avançou além da oferta.

Foi informado que Luiz Paulo Dominguetti Pereira é representante da Davati Medical Supply, o que negamos, portanto, não temos conhecimento de quaisquer discussões que possam ter ocorrido entre o Sr. Pereira e qualquer funcionário do governo. O Sr. Pereira não é representante ou funcionário da Davati Medical. Nosso único representante no Brasil é Cristiano Alberto Carvalho.”

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