Advogados de réus em plano de golpe maratonam em gabinetes do STF

Ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, já marcou agenda com dois; objetivo das defesas é entregar memoriais (versão resumida da defesa) duas semanas antes do julgamento

Elijonas Maia, da CNN, Brasília
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Os advogados dos réus do núcleo 1 do processo sobre suposta trama golpista começaram uma maratona em gabinetes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em agendas antes do julgamento, marcado para início em 2 de setembro.

O primeiro a marcar agenda foi o advogado Matheus Milanez, que defende o general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Ele tem uma agenda marcada para às 16h desta quarta-feira (20) com o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin.

A ideia é apresentar aos ministros alguns memoriais, que são versão reduzida das teses da defesa, e, claro, argumentos para tentar convencer os magistrados a absolver seus clientes ou abrandar possíveis penas.

Para Heleno, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, respondeu que não será possível o encontro. O ministro Luiz Fux também declinou da agenda. Já os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia ainda não responderam se receberão o advogado.

Na quinta-feira (21), o ministro Zanin recebe o advogado Eumar Novacki, que representa Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Torres também foi secretário de Segurança do Distrito Federal na data do 8 de Janeiro.

À CNN, a defesa do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, feita por Demóstenes Torres, disse que também marcará encontros.

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, colaborador da Polícia Federal na investigação, também marcará encontros com os ministros, por meio dos advogados Cezar e Vânia Bitencourt.

Cid foi ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o governo anterior. Em suas alegações finais, entregues ao STF, refutou golpe de Estado e disse que estava alinhado com ex-comandante do Exército, contrário ao plano.

Conforme mostrou a analista Jussara Soares, da CNN, Cid não deve ir ao julgamento para evitar constrangimento ao encontrar os demais réus.

Heleno, Torres, Garnier e Cid são acusados de integrar, ao lado de Bolsonaro, Braga Netto, Alexandre Ramagem e Paulo Sérgio Nogueira o chamado “núcleo crucial” de uma trama para manter o ex-presidente no poder e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Todos negam.