Ala do PT tentou dissuadir Lula de acabar com as bets

Governo deve anunciar MP com proibição imediata das apostas online; segundo Larissa Rodrigues, presidente optou por cálculo eleitoral da decisão

Da CNN Brasil
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Nesta sexta-feira (26), o presidente Lula deve assinar a medida provisória proibindo as apostas online de forma imediata, sem período de transição. A iniciativa deve vir acompanhada de um pacote de medidas compensatórias voltadas aos setores afetados, incluindo o futebol brasileiro.

A decisão, que será anunciada na sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, não foi consenso dentro do governo. Segundo apuração da analista de Política Larissa Rodrigues para o CNN 360º, houve intensa discussão dentro do Palácio do Planalto, do PT e da campanha.

Uma ala do partido, que inclui o presidente do PT, Edinho Silva, defendia um período de transição antes da proibição. No entanto, a ala ligada ao marketing da campanha, associada ao ministro da Secom, Sidônio Palmeira, prevaleceu, defendendo o encerramento imediato das apostas.

"No fim das contas, foi uma vitória da ala da campanha, mas uma pequena derrota para o PT enquanto partido", afirmou Larissa.

O Ministério da Fazenda também acompanha com cautela os impactos da medida. Segundo Larissa, a arrecadação proveniente das bets chegou a mais de R$ 8 bilhões em 2026, o que representa uma preocupação adicional para o governo com o fim do setor.

Larissa observou que a medida provisória precisará ser apreciada pelo Congresso Nacional em até 120 dias, podendo ser aprovada, modificada ou caducar.

O entendimento é de que o Legislativo deverá buscar, nesse prazo, alternativas para minimizar os impactos sobre todos os setores envolvidos.

"O futuro fica para a próxima legislação. O que Lula quer agora é uma sinalização política para a população", afirmou a analista.

Impactos às empresas e aos clubes

As empresas de apostas esportivas que operam legalmente no Brasil se preparam para recorrer à Justiça. O setor avalia pedir ressarcimento ao governo, já que diversas companhias pagaram outorgas de até R$ 30 milhões para operar legalmente no país.

Outro setor preocupado é o futebol brasileiro. Em entrevista à CNN, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, prevê perda de R$ 2,5 bilhões para os clubes em 2027.

Parte do pacote prevê que as dívidas dos clubes com a União e bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, tenham seus prazos de pagamento prorrogados. Além disso, o BNDES seria acionado para financiar, com juros módicos, projetos de infraestrutura dos clubes.

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